Por que a eleição na Hungria fez líderes iliberais do mundo tremerem? O que isto tem a ver com o Brasil?
Vamos começar definindo Democracia Iliberal, termo criado por Viktor Orbán, que controlou a Hungria por 16 anos. Trata-se de um modelo onde o líder chegou ao poder em eleições regulares, que foi enfraquecendo as instituições (pesos e contrapesos) e concentrando o poder.
Para mobilizar o povo, cria inimigos internos (nós x eles) ou externos, incentiva a polarização (ricos x pobres), usa e abusa de medidas emergenciais, manipula as regras eleitorais, controla setores “estratégicos” da economia, com uma interpretação ampla do termo, uso e abuso da propaganda, para reforçar sua narrativa.
Tudo isto deteriora a democracia. Talvez o melhor, neste caso o pior, caso tenha sido Hitler, que acabou com ela.
Orbán seguiu a risco este modelo, com uma boa dose de corrupção, deterioração dos serviços públicos, exagero nos temas externos (apoio à Rússia) e uma enorme fadiga política, após 16 anos no poder.
A cereja no topo do bolo, neste caso que fez o bolo desabar, foi um roteiro econômico baseado em gastos fora de controle, que geraram um enorme déficit fiscal, que comprimiram o poder de compra da população (affordability), que fez 58% dos eleitores, com mais de 80% de comparecimento às urnas, votarem contra ele.
A grande lição da derrota de Orbán é que a propaganda sustenta o modelo até que a população sinta no bolso.
Você acha que qualquer semelhança no modelo húngaro, com os EUA, Rússia e Brasil, é mera coincidência?
Entendeu por que os três iliberais estão preocupados?
Entendeu por que tem uma química entes eles?
Fonte: “Iran und Ukraine – Niederlagen Trump und Putin? – ZDFheute – Marcus M. Keupp.
#ismarbecker #Democracia #Liberalismo #economia #inflação #populismo #eleições



