O GRANDE GOLPE DOS VEÍCULOS ELÉTRICOS

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Por Ismar Roberto Becker

A indústria automobilística mundial está em um processo de Destruição Criativa, como definiu Schumpeter, ou é vítima de um grande golpe? Vamos aos fatos.

Henry Ford revolucionou o setor com a linha de montagem. O Toyota Production System, hoje conhecido como Lean Manufacturing, levantou o sarrafo dos custos e qualidade.

A partir de 2008, a BYD mudou todas as regras do jogo. Ela não melhorou carros existentes, ela construiu um carro em cima de baterias. O “game changer” foi a Blade Battery (bateria lâmina), que é mais barata, e dura mais. Já faz algum tempo que a Tesla compra suas baterias da BYD.

Com uma venda declarada de mais de 4 milhões de carros por ano, ela é a líder inconteste no mercado de EVs. A BYD vai dominar o mercado automobilístico global?

Dois movimentos tectônicos podem mudar este cenário:

– REDUÇÃO DOS SUBSÍDIOS

O governo democrático (sic!) chinês cortou os bônus para compra de EVs no final de 2025. A venda de EVs caiu uns 18% no primeiro trimestre. A da BYD caiu 41% em fevereiro. Ela não começou a guerra de preços entre as mais de 100 montadoras de EVs, mas dobrou a aposta. Isto lhe custou uma queda de 38% nos lucros em um trimestre.

– NOME DO MILAGRE E DO SANTO

Wang Chuanfu é o gênio por trás das disrupções do modelo BYD, mas ele tem um grande sócio oculto ou, não tão oculto: governo democrático (sic!) chinês.

A GMT Research, pequena empresa de pesquisa de Hong Kong, levantou que os 6 bilhões de dólares de subsídios que a BYD tem no balanço, na verdade, chegam a mais de 45 bilhões, somando os indiretos, recebidos desde 2002.

Este milagre vale para todos os setores/empresas que estavam no Plano Quinquenal – China 2025. É o resultado do Capitalismo de Estado, sonho de consumo de um partido (sic!) brasileiro.

Pesquisando um pouco mais, a GMT levantou duas práticas heterodoxas de gestão da BYD: financiamento via cadeia de produção e vendas fictícias de carros usados zero quilômetro.

Na primeira pirâmide, a BYD paga seus fornecedores em até 9 meses, contra os 2 meses normais no setor. Isto ajuda a maquiar o balanço, já que não aparece nas contas de endividamento.

A segunda é a venda fictícia de carros novos para pessoas físicas ou jurídicas de fachada, que depois são revendidos como novos.

Antes que comecem a jogar pedras, não estou prevendo o colapso da BYD, nem questionando o sucesso do seu modelo de negócios, ou dos seus vistosos e baratos carros. Só estou trazendo números e fatos, que pode haver algo de podre no reino da Dinamarca, como disse o guarda Marcellus, em Hamlet.

As perguntas que não querem calar: estas práticas heterodoxas são o fundamento do milagre chinês?  Este modelo é sustentável?

Fonte: “China’s EV Bloodbath: BYD is Suddenly in Trouble! – @Kinesis_labb; “BYD: Der Grosste Betrug der Autoindustrie?” – Econ DE.

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