Uma campanha política é como uma carroça de abóboras. Algumas caem ao longo do caminho, outras vão se acomodando. Como um candidato pode perder a eleição para ele mesmo no andar da carroça?
Aviso aos navegantes: sou expert no assunto. Perdi a única eleição da qual participei, ou seja, 100% de erro. Isto me habilita a opinar.
A possível (ou provável) derrota do incumbente nas eleições presidenciais tem três conjuntos de fatores:
FATORES EXTERNOS
– Affordability (acessibilidade): não é quanto ganho. É quanto posso comprar com o que ganho. A macroeconomia brasileira pode ir bem, ainda que tomando anabolizantes, mas o cidadão não vai bem.
O PIB está subindo, o desemprego caindo, a inflação mais ou menos sob controle. Apesar disto, mais de 60% dos brasileiros dizem que estão comprando menos do que no ano passado. Vamos aos números:
De 2006 até 2026, o IPCA subiu uns 170%; o salário-mínimo, 363%, com um ganho real de 75%; a renda média do trabalhador, 210%, com um ganho real de 50%. Um dos problemas é que o preço da carne (não a prometida picanha) subiu mais de 500%. O mesmo aconteceu com muitos outros produtos.
– Bets: estimuladas pela volúpia arrecadatória do Taxad, que apostou (e ganhou) uma arrecadação de uns R$ 3,4 bilhões, como parte da receita bruta do jogo, mais 15% do IR sobre os prêmios, os brasileiros perderam uns 23,9 bilhões, somente em 2024.
– Endividamento: seguindo o exemplo do “Gasto é Vida”, os brasileiros se endividaram como se não houvesse amanhã. Mesmo pedindo ajuda a Santa Edwiges, padroeira dos endividados, 80,4% dos brasileiros estão endividados, comprometendo quase 30% da sua renda. Mais de 80% estão inadimplentes, ou seja, 50% da população adulta. Isto piora a “affordability”.
FATORES EXTERNOS
A subestimação do adversário de Trump no Irã acordou o dragão da inflação mundial. Aqui no Brasil, segundo o Instituto Fiscal Independente, o impacto altista será de 0,7 a 1% em 2026, até 0,5% em 2027.
Para os keynesianos do Gasto é Vida, um pouquinho de inflação não faz mal. Para a grande maioria dos brasileiros, contudo, este pouquinho (sic!) vai piorar ainda mais a “affordability”. Um detalhe importante que os keynesianos esquecem: a inflação afeta mais os que ganham menos. A maioria dos comprados pelo Bolsa Voto perde ainda mais a “affordability”.
TIROS NO PÉ
Como não tem nada tão ruim que não possa piorar, o Aiatolá de Garanhuns, apavorado pela alta rejeição, e aconselhado pelo Ministro da Verdade, resolveu trucar sem cartas com o Trump. O resultado deve ser a aplicação de tarifas baseadas na Resolução 301, que resultará em milhares de desempregados, que perderão a “affordability”. Desta vez, a culpa não será do Dudu Bananinha.
Entenderam por que a “affordability” poderá ser o último prego no caixão da ClePTocracia?
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