GASTANDO O DINHEIRO DOS JOVENS

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Por Ismar Roberto Becker

Os sistemas previdenciários prometem às próximas gerações mais do que podem pagar. Por que estamos dando um calote nos jovens?

Os sistemas previdenciários estão em um colapso matemático, pela combinação de três fatores:

Queda de natalidade + aumento de longevidade + menos contribuintes por aposentados.

Em números: mulheres em idade fértil estão tendo menos de 2,1 filhos, abaixo da taxa de reposição, os aposentados teimam em viver mais e uns dois trabalham/contribuem para pagar um aposentado.

CONTABILIDADE GERACIONAL

O alemão Bern Raffelhüschen criou o conceito de Contabilidade Geracional, para calcular o passivo oculto nos sistemas de Previdência. A conta é simples:

Valor presente dos benefícios prometidos (aposentadoria, saúde) menos valor presente das contribuições futuras = buraco estrutural ou passivo oculto.

Como os beneficiários aumentam e vivem mais, e os contribuintes são cada vez menos, o buraco aumenta constantemente. Em alguns países europeus, este valor pode ultrapassar o PIB.

CONTABILIDADE GERACIONAL DO BRASIL

Por aqui, a situação é ainda mais crítica pela explosão dos MEIs, a informalidade, em parte provocada pelos benefícios fiscais, a baixa produtividade, os seguidos déficits fiscais e os milhões que vivem de transferências do Estado, leia-se dos impostos pagos por uma minoria.

Baseado nos dados do orçamento projetado para 2026, combinados com a taxa de fecundidade de 1,57 filhos/mulher fértil, 15,5% da população acima de 60 anos, que serão uns 37,8% em 2070, já que a expectativa de vida é de 76,6 anos, os buracos para fechar a conta da Previdência são: 165 bilhões de reais em 2030, ou 2,63% do PIB, 978 bilhões em 2040 – 3,50% do PIB, 2.059 bilhões em 2050 ou 4,88% do PIB em 2050 e 30,88 bilhões em 2100 ou 11,5% do PIB em 2100.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda lamenta ter saído sem ter deixado um plano de longo (sic!) prazo de 4 anos. Será coincidência que este seja a duração de um mandato?

SOLUÇÕES

Os remédios amargos, mas necessários, são: aumentar a idade de aposentadoria, reduzir benefícios, aumentar contribuições, capitalização, transparência.

A pergunta não é se teremos que fazer um ajuste. Teremos que decidir quem vai pagar a conta e quando?

Fonte: Prof. Dr. Bernd Raffelhüschen: Was die AHV-Versprechen künftige Generationen wirklich kosten, IWP | Institut für Schweizer Wirtschaftspolitik.

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