BRICS – SOBROU ALGO?

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Por Ismar Roberto Becker

Os Brics queriam desafiar a ordem econômica e democrática das democracias liberais ocidentais. Como vai o projeto, dominado pela maior ditadura do planeta?

BRIC foi um acrônimo criado por Jim O’Neil em 2001 para agrupar quatro economias (Brasil, Rússia, Índia, China) candidatas a potências econômicas. Mais tarde, foi incluída a África do Sul e o grupo ficou conhecido como BRICS.

Neste período, a China multiplicou o PIB por 14, a Índia por 7, a Rússia, o Brasil por 4, a África do Sul por 3. Sem entrar em detalhes, os dois retardatários foram dominados, na maior parte do tempo, por governos populistas cleptocratas. A Rússia também, mas lá o butim é muito maior.

A partir de 2006, o que era somente uma sigla começou a se tornar um projeto de crescimento econômico. Com o tempo, tentou ser um projeto geopolítico alternativo ao Ocidente.

China tornou-se o mais igual entre os iguais, por representar uns 68% do PIB do grupo. Como a melhor forma de dominar é dividir, a China forçou a entrada do Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia e Emirados Árabes.

O que já era uma mistura de cobra com jacaré virou um ornitorrinco, mamífero aquático que põe ovos, sendo o único da espécie. Como o grupo não consegue chegar a um acordo sobre quase nada, vale o que quer aquele que paga a conta.

Especialistas em geopolítica projetam três cenários para o Brics:

  1. Bloco Geoeconômico alternativo

É o sonho do Sul Global, principalmente de um presidente narcisista da América do Sul.  O peso econômico do grupo praticamente garante isto. Na verdade, contudo, quando um dos sócios representa 68% do PIB conjunto, o grupo serve só para reforçar este sócio.

  1. Fórum Político Simbólico

Os encontros regulares continuarão com pautas de interesses geopolíticos conflitantes (China x Índia) e geoeconômicos distintos (Rússia, Brasil e África do Sul). Seria uma espécie de mini ONU, onde todos falam, mas um decide.

  1. Fragmentação ou perda de relevância

Dois dos membros são párias internacionais, praticamente exilados nos seus países. Quando a ficha dos outros cair sobre seu papel secundário, alguns podem tomar o rumo da Argentina que foi convidado, mas nem entrou. O Brasil pode ser um deles.

O BRICS é uma alternativa real ao Ocidente ou apenas um condomínio de potências com interesses incompatíveis?

Fonte: “Has BRICS given up on challenging Western economic dominance?” – The Bottom Line – Al Jazeera English.

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