VALE ASSASSINAR ASSASSINOS?

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Por Ismar Roberto Becker

Tecnicamente, Israel e os EUA assassinaram mais de 40 altos líderes da teocracia autoritária iraniana. Existem justificativas éticas e morais para esta ação?

“Esta guerra viola a moralidade e a lei internacional. Foi um assassinato cínico.”

Esta foi a reação do ditador Vladimir Putin. Interessante para quem está provocando a morte de milhões de russos e ucranianos.

O Irã é um Estado pária, que massacra seu povo, quer a bomba para destruir Israel e financia o terror contra o Ocidente. Endosso esta opinião do Estado de São Paulo, mas isto ainda não seria uma licença para matar.

Não pretendo responder à pergunta se vale assassinar assassinos. Pretendo discutir as ações da teocracia do Irã, seguindo os princípios do Utilitarismo, cuja pergunta básica é se uma ação aumenta ou reduz o bem-estar da sociedade.

O Princípio Liberal da Utilidade diz que a ação ou política correta é aquela que produz a maior felicidade, prazer, bem-estar, para o maior número possível de indivíduos. Caberia ao Estado maximizar o saldo positivo.

O regime teocrático autoritário, somente nas últimas manifestações populares e pacíficas contra a inflação, matou milhares de iranianos. O governo afirma que foram mais de 3 mil. Fontes não oficiais falam em 30 mil.

Seguindo o Princípio da Utilidade, eliminar a cúpula da ditadura iraniana beneficiaria milhões de pessoas, reduzindo mortes futuras, em guerras ou repressão interna, além de reduzir o apoio a grupos terroristas.

O outro lado da medalha, contudo, é composto pela instabilidade regional e global, mortos nas reações iranianas, além do aumento da radicalização.

Para ampliar o debate, qual teria sido a utilidade em eliminar Hitler, Mussolini, Stalin, Mao, Pol Pot? Quantas mortes teriam sido evitadas?

Fonte: “Ninguém vai chorar pelo Irã” – O Estado de São Paulo – 01/março.

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