Vou contar uma história triste de uma potência mundial em acelerada decadência. Quer conhecer alguns cenários de médio prazo para a Alemanha?
Já fazia tempo que não escrevia sobre a Alemanha, até porque tinha pouco de positivo para contar. Fui provocado por uma executiva brasileira que vive lá com a seguinte pergunta: fico aqui ou volto? O que era para ser uma breve conversa virou um longo bate-papo, além de inspiração para este post.
Resumo as causas da decadência alemã, que senti na pele nos cinco anos que morei lá.
– COMPLEXO DE SUPERIORIDADE
O “Wirtschaftswunder” dos anos 1950–60 subiu à cabeça dos alemães, que acreditaram que a festa nunca teria fim. Em 2002, já conhecido como Doente da Europa, Gerhard Schröder, do SPD, lançou a Agenda 2010, focada em leis trabalhistas, dando novo impulso econômico, mas mantendo o inferno burocrático. Os 16 anos da Muti Merkel colocaram o país em um coma induzido, política e economicamente. O país só acordou com o fim do gás russo.
– MODELO ULTRAPASSADO
A indústria alemã é conhecida por sua qualidade sem igual. O problema é que qualidade tem preço, que nem todos podem ou querem pagar. Por que pagaria 50% a mais por uma máquina que durará 50 anos, se em 5 ela pode estar obsoleta?
Um carro alemão pesa uns 200 kg a mais do que o de qualquer outro país. Em cada etapa, alguém coloca uns quilos a mais. A justificativa: “Es wäre besser” (ficaria melhor). Para piorar, as normas trabalhistas são draconianas. Você não pode ligar uma máquina na tomada sem a presença de um mestre eletricista.
– CRISE POLÍTICA
O inchamento do Estado, a prática de Gasto é Vida dos direitos sociais, o avanço desproporcional da esquerda radical na gestão, expulsou uma parcela cada vez maior para a extrema-direita.
O AfD (Alternatif für Deutschland) pulou de 10,3% para 20,8% do parlamento nas eleições de 2021 e 2025. Baseado nas últimas eleições nos Länder (estados), alguns analistas podem prever que o maior partido nas eleições gerais que podem ser a qualquer momento, se o governo atual perder a maioria.
O atual governo é uma coligação do CDU/CSU (centro-direita), com 28,5% nas últimas eleições, com o SDP (centro-esquerda, dominado pelos radicais) com 16,4%, sendo o grande derrotado nas eleições. O AfD, com 20,8%, é rejeitado por todos os partidos.
Kanzler (primeiro-ministro) prometeu na campanha reduzir impostos, atacar a burocracia, reduzir o Bürgergeld (espécie de Bolsa Família), repatriar imigrantes ilegais e manter o equilíbrio fiscal. Não conseguiu fazer nada, porque o SPD não aprova. É só uma questão de tempo para o país ficar ingovernável, abrindo o caminho para o AfD.
O que você acredita que respondi para a executiva brasileira que trabalha na Alemanha?
Fonte: “Herbst der Reformen abgesagt – Werner Patzel” – Apollo News.
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