O trapezista tem que fazer os outros acreditarem que ele voa. Quando ele acredita, pode se estatelar no chão. Será que o sucesso pode ser prejudicial?
No final de semana, eu estava preparando uma fala sobre os Cenários Econômicos, Políticos e Sociais para a Diversificação Econômica no Fórum Regional de Diversificação Econômica de Minas Gerais, na próxima semana.
O foco do Fórum é a diversificação econômica e alternativas de riqueza, especialmente para municípios com forte dependência do extrativismo mineral, leia-se ferro.
Pensei com meus botões: uai, sô, o que falo para estes mineiros?
Eles já viram o ciclo do ouro acabar, agora estão vendo o ferro enferrujar, metaforicamente falando. Fui salvo pela serendipidade, procurava uma coisa e achei outra, em uma entrevista do Alain de Botton. Vou falar do mito de Ícaro, como voei alto demais, o que aprendi com isto e como eles podem usar a história para buscar alternativas econômicas para a extração do minério de ferro.
MITO DE ÍCARO e SUCESSO
Na mitologia grega, Ícaro ganhou do pai asas com penas coladas com cera para poder fugir da ilha de Creta. Seu pai o avisou para ele não voar muito alto porque o sol poderia derreter a cera, nem muito baixo porque a água do mar poderia molhar as penas, deixando-as muito pesadas.
Ícaro ficou embriagado com o poder de voar, subiu cada vez mais, até que o calor do sol derreteu a cera, desmanchou as asas e ele morreu na queda.
MEU VOO DE ÍCARO
Meu saudoso pai também me deu asas quando me deu o desafio/oportunidade de desenvolver as exportações da Oxford Porcelanas. Com uma combinação de sorte (muita) e competência (um pouco), voei muito alto. As asas não derreteram, mas esqueci que voar era meio, não um fim. Em outras palavras, me embriaguei com o sucesso muito cedo e entrei na zona de conforto.
SUCESSO É ARMADILHA
O Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais está buscando alternativas para o fim do combustível que alimentou seus voos por muito tempo.
Fiz algo semelhante, primeiro aterrissando do meu voo movido pela embriaguez do sucesso, mudando meus sonhos/propósitos. Aprendi ser importante voar, mas não necessariamente o tempo todo, e muito alto. Aprendi também que o voo movido pela Inteligência Fluida, capacidade de pensar logicamente, vai diminuindo com o tempo, mas pode ser substituído pela Inteligência Cristalizada, que é usar a experiência adquirida com o tempo, nos voos que me levaram ao destino ou naqueles que caem.
Como vão seus voos? Você está só pensando no destino, quer continuar voando o tempo todo ou entende que voar é um meio?
Fonte: “Why Success is a Trap and How to Achieve It” – Alain de Botton – Giant Ideas Podcast.
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