Aceitar nossa finitude (somos mortais) provoca medo, até pânico, embora seja inevitável. Empreendedores e políticos são os que mais sofrem deste pânico, porque recusam aceitar a finitude. Quer conhecer um exemplo?
Passei as festas de final de ano em Curitiba. Aumentei o tempo das corridas/caminhadas matinais para compensar os excessos culinários e etílicos. Além de correr nos belíssimos parques da cidade, explorar os arredores do apartamento onde estava. Numa dessas explorações, conheci o Juca, que está com o dilema da sucessão.
O Bar do Juca foi fundado em 1953, por um descendente de libanês. Seu filho, também conhecido por Juca, herdou o bar do pai. Com 93 anos, eles têm alguns problemas de audição, mas continuam firmes à frente do bar, sendo quase parte do patrimônio histórico do bairro.
O estado de conservação do imóvel, dos equipamentos e do Juca não escondem o peso dos anos. Pelo contrário, é isto que atrai os fregueses fiéis, que auxiliam o Juca a atender clientes quando o bar está cheio.
Fui lá em um domingo de manhã, conheci o Juca, fiz novos amigos, belisquei um churrasco que preparavam, e participei de um debate sobre a sucessão do Juca, que não tem descendentes porque nunca se casou.
O Bar do Juca, que deveria ser incorporado ao patrimônio histórico de Curitiba, será provavelmente fechado pelos sobrinhos do Juca, que venderam o imóvel para uma incorporadora. O bairro vai perder uma parte da sua história, mas a vida vai continuar.
O que acontece, contudo, quando empresários negam a realidade do passar dos anos? O que acontece quando um presidente nega a perda da capacidade e vontade de se envolver no jogo político necessário para conduzir o país?
Qual o futuro do seu Bar do Juca, quando você não estiver mais aqui?
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