No domingo passado, assistimos à crônica da morte anunciada, como em todos os regimes populistas de esquerda. A receita de colher sem plantar ruiu mais uma vez. Quando acontecerá aqui?
O boom das commodities turbinou o orçamento boliviano. Nos dois primeiros mandatos de Evo Morales, a pobreza extrema caiu de 38% para 15%, a moderada de 60% para 35%, o PIB per capita subiu de 1.200 para 3.500 dólares e o índice Gini caiu de 0,60 para 0,47. Mais de um terço da população virou classe média. A festa seguiu no terceiro mandato, fruto de mutreta constitucional.
Foi anabolizada por quebras de contratos com Petrobrás, Repsol e Total, nacionalização de refinarias e rompimento do contrato do gás ao Brasil. Entre 2006 e 2010, a Petrobrás perdeu 5 bilhões de dólares e os brasileiros pagaram outros 5 bilhões a mais. O “Aiatolá de Garanhuns” chamou de soberania boliviana, mas não mencionou a soberania brasileira, já que ativos foram roubados.
Com os contratos quebrados, as petroleiras suspenderam investimentos. O esperado aconteceu: gás no fim, petróleo esgotado, refinarias sucateadas. O dinheiro que reduziu a miséria foi gasto em subsídios. O dólar disparou, a inflação aumentou a pobreza. Nas eleições, três candidatos de direita somaram 79%. O quarto colocado foram votos nulos, apoiados por Evo Morales, na lógica do “Eu ou nada”.
Guardadas as proporções, o Brasil viveu algo parecido entre 2002 e 2016. O Plano Real domou a inflação. Dois bons governos de FHC, o boom das commodities e o Pré-Sal encheram o caixa do governo. Com sorte e algum juízo, formamos reservas internacionais que trouxeram estabilidade.
Isto começou a ruir, seguindo o modelo boliviano, em 2008, quando o Aiatolá usou a expansão fiscal e de crédito para amortecer a crise mundial que ele chamou de marolinha. A Ensacadora de Vento não estabeleceu meta, mas dobrou a meta, com medidas cada vez mais artificiais e insustentáveis, resultando na perda de controle fiscal, explosão da inflação e recessão histórica. Alguns indicadores macroeconômicos do desastre:
– PIB: 7% entre 2015 e 2016. Maior queda de uma economia mundial sem guerra.
– Desemprego: subiu de 6,5% para 10,7%.
– Inflação: bateu em 10,7% ao ano.
– Dívida Pública: passou de 52% para 74% do PIB.
Esta foi parte da conta que os brasileiros pagaram pela implantação do modelo boliviano de gastar sem pensar no amanhã, e que está sendo tentado novamente desde 2023.
Nos anos 80, a vodca Orloff tinha uma propaganda “eu sou você amanhã”, que recomenda moderação ao tomar Orloff. A ideia foi usada na economia porque o Brasil copiava os erros econômicos da Argentina.
Nas eleições de 2026, poderemos enterrar de vez este modelo populista falido e ser Argentina e Bolívia do amanhã?
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