SEM COMUNICAÇÃO, NÃO HÁ GESTÃO

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Por Ismar Roberto Becker

Empreendedores falam muito. Teoricamente, são ouvidos. Isto significa uma boa comunicação? Baseado na minha experiência pessoal, quer saber por que não?

Empreendedores são cheios de energia, inundados de ideias, não conseguem ficar parados, costumam ser eufóricos, assumem riscos, às vezes agem impulsivamente, falam muito rápido, sua autoconfiança pode torná-lo persuasivo, até carismático. Estas características de um hipomaníaco ou um pouco menos do que maníaco. Esta é a definição de John D. Gartner.

Toda minha vida, estive cercado de empreendedores. Para mim, as características listadas por Gartner deveriam fazer parte de qualquer ser humano. O problema é que não fazem.

Perdi negócios e amigos, por não entender isso, acreditando que as pessoas entendiam minha linha de raciocínio. Ledo engano. Fui domesticando meu comportamento com o tempo, mas um salto foi quando ouvi um discurso de David Brooks, colunista e escritor canadense, sobre como ouvir as pessoas se sentirem ouvidas. Brooks resume esta habilidade, rara em empreendedores, como “a capacidade de ouvir os outros e fazê-los sentir que estão sendo ouvidos”.

A comunicação verbal necessita de um emissor que fala e um receptor que ouve. O problema são os ruídos que interferem no caminho entre o que uma fala e o que a outra escuta. Cinco passos simples (será?) ajudam a reduzir os ruídos:

  1. Primeira impressão: um pensa o que o outro pensa dele. O outro a mesma coisa. Os dois estão na defensiva. Como empreendedores são temidos porque não quebram o gelo, para relaxar o outro. No caso de uma conversa mais difícil, sair da sua sala ajuda muito. Usar a técnica de storytelling abre portas.
  2. Acompanhar: colocar-se como coadjuvante na conversa, mais ou menos como a segunda voz em uma dupla. Domine seu ímpeto de pular etapas. Em uma recente reunião virtual, quase tive um chilique com a prolixidade e falta de foco do interlocutor, mas aguentei. O resultado foi excelente.
  3. Diálogo: não concorde ou discorde de tudo. Nem sempre o interlocutor tem o foco que você tem. Provoque (no bom sentido) as reflexões dele.
  4. Perguntar: a qualidade da conversa depende da qualidade das suas perguntas. Após ouvir os argumentos, faça perguntas abertas, que não podem ser respondidas com um sim ou não.
  5. Autocontrole: aguentar os quatro passos, sem pular da cadeira.

Não parece fácil?

Fontes: The Welcome Conference – David Brooks – “Making People Feel Seen: How to Do it Right”; “The Hypomanic Edge – The Link Between a Little Craziness and a Lot of Success” – John D. Gartner

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