A invasão da Ucrânia já dura seis meses. Até agora, as apostas dos dois lados (Rússia e Ucrânia x democracias liberais) não deram certo. Quer conhecer alguns dos erros cometidos e suas consequências?Uma guerra é um jogo no qual os envolvidos fazem apostas, sem necessariamente ter todas as informações. Até o momento, as duas grandes apostas levaram a um empate técnico:- Rússia: Subestimou a reação da Ucrânia, o apoio militar e econômico da Europa, EUA e da maioria dos outros potenciais mundiais.- Democracias Liberais: Superestimaram os efeitos das sanções econômicas contra a Rússia.A revista The Economist fez um balanço dos efeitos do maior conjunto de sanções impostas a um país desde a Segunda Guerra Mundial, concluindo que os efeitos, até agora, estão longe de fazer Putin mudar de ideias.Era razoável esperar que o congelamento das reservas russas no exterior, a redução de importações (até petróleo), a suspensão da Rússia do sistema de pagamentos internacionais (SWIFT), e a quase total proibição de exportações, colocassem o país de joelhos. Isto não aconteceu e nem dá sinais de que acontecerá no futuro próximo. Dentro deste cenário quais são as apostas hoje?- Rússia: enfraquecimento do apoio popular, principalmente na Europa (fundamental em uma democracia) para os esforços da guerra. O ponto de inflexão pode ser o racionamento de gás necessário para o aquecimento durante o inverno europeu. Putin viveu muitos anos na antiga Alemanha Oriental, por isso, conhece o costume alemão de superaquecer residências e escritórios.- Democracias Liberais: Caso consigam manter as sanções com vazamentos limitados (China e Índia comprando petróleo russo barato, alguns países do Oriente médio, lavando dinheiro dos oligarcas russos, por exemplo), os efeitos no longo prazo paralisarão a aviação russa e parte da indústria bélica (por falta de componentes).As duas apostas têm chances de sucesso, mas qualquer solução deve levar, no mínimo, mais alguns meses. As duas grandes lições que aprendemos:1. Sanções econômicas não ganham guerras. Por isso, a possibilidade de uma invasão de Taiwan, em algum momento no futuro, continua alta, já que o mundo depende muito mais da China do que da Rússia.2. Temos que acelerar o processo de “nearshoring” e “friendly shoring” transferindo produção da China para países mais próximos e amigos, como já abordei no post da última quinta-feira, o que pode beneficiar o Brasil.Você já fez um balanço dos riscos e oportunidades deste cenário no seu emprego ou negócio?Imagem: The Economist#ismarbecker #geopolítica #economia #exportações #negócios #guerra #Rússia #Ucrânia



