RELATIVIZAÇÃO OU ABSOLUTISMO DO CRIME

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Por Ismar Roberto Becker

Para a esquerda, bandido é vítima. Para a direita, bandido bom é bandido morto. Como sempre, os dois extremos estão errados. Vamos entender melhor o assunto?

Os delitos evoluíram ao longo da história. Pessoas foram executadas por caçar nos terrenos dos nobres. Matar por vingança era permitido. Na Sharia, lei do Islã, uma interpretação literal prevê cortar a mão dos ladrões, e as mulheres quase não têm direitos.

Nos países ocidentais existem duas correntes. A esquerda relativiza o crime, enquanto a direita atribui o crime ao indivíduo. Vamos aprofundar um pouco.

RELATIVIZAÇÃO

Desde Marx, a tese central é que não existe o crime por si só. Ele depende do contexto social, da história, da política. Além disto, deve ser considerado o contexto social onde o crime foi praticado. O criminoso é uma vítima do sistema, por isso não pode ser condenado.
Isto explica as manifestações do chefe (sic!) do executivo brasileiro, resumido nas seguintes frases:

“Os traficantes são vítimas dos usuários.”
“Não posso ver mais jovens de 14 e 15 anos assaltando e sendo violentados, assassinados pela polícia, às vezes inocentes, ou às vezes porque roubaram um celular.”
“Hoje fiquei sabendo de uma notícia triste, uma notícia com pesquisa, que mostra que, depois do jogo de futebol, aumenta a violência contra a mulher. Inacreditável. Se o cara é corintiano, tudo bem.”

Estas declarações não são simples frases infelizes, são um ato falho, que Freud definiu como um erro casual, mas que revela um pensamento, desejo ou sentimento inconsciente.

Juízes, desembargadores e até ministros do STF defendem esta tese. Um recém-empossado ministro do governo, conhecido pela ficha corrida de invasão de propriedade privada, solicitou um minuto de silêncio pelos mortos na operação policial no Rio de Janeiro.
Evidentemente, não podemos aceitar que a polícia saia matando ao bel-prazer. No caso citado, contudo, a polícia foi recebida com tiros de fuzil, granadas e até drones.

ABSOLUTISMO

A teoria liberal/conservadora defende que a responsabilidade do crime é exclusivamente do indivíduo, que existem fundamentos morais que todos, independentemente de classe social ou econômica, devem obedecer. Não aceitam justificativas pelo crime.

Em um país polarizado pelo maniqueísmo (nós x eles), as minorias radicais dos dois extremos defendem com unhas e dentes uma das duas linhas acima. Este ponto será um dos pontos-chave da campanha eleitoral de 2026. O candidato à reeleição terá uma grande dificuldade de defender que traficante é vítima, que roubo de celular tem justificativa. Os candidatos de oposição vão usar e abusar dos atos falhos do incumbente.

Você enxerga um meio-termo entre estes dois extremos?

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