Modismos na gestão de negócios são como moda de vestuário, mudam sempre para criar demanda. Do Bug do Milênio (2000), quando os computadores iam parar, passando pelas Normas ISO, até o bálsamo universal do ESG, já vi de tudo. Onde os Conselhos entram nesta história?
Estou participando do planejamento e implantação de um Conselho Consultivo de uma média empresa mono familiar. O lado positivo é que o fundador tem consciência da finitude da sua Inteligência Fluída, além da física (surpreendentemente, ele aceita que vai morrer algum dia). Além disso, ele já tem outro osso quando largar o atual.
Usarei este post para passar algumas mensagens para os dois sócios, sobre trabalhos que faremos, emprestando lições do mestre Wanderlei Passarella, em um dos meus livros de cabeceira, “O Conselho de Empresas”, que eles já estão lendo.
- Visão
Como os sócios entendem o negócio e como o visualizam no futuro. Parece fácil, mas não é. Existe uma boa distância entre visão utópica e a realidade.
- Modelo governança
Pelo porte e composição acionária da empresa, o modelo construtivista é o mais adequado. Ela tem uma boa governança, mas é muito dependente da liderança carismática de um dos sócios. A perenização adaptativa, no conceito do Passarella, vai depender de aumentar o envolvimento dos gestores-chave na geração dos resultados, além de definir melhor os postos-chave do processo decisório. Na hipótese de recrutar um CEO externo, é crucial que ele entenda a cultura da empresa que está umbilicalmente ligada a um dos sócios. Já lembrei ele da famosa frase de Peter Drucker: “a cultura come a estratégia no café da manhã”.
- Órgãos
Não necessariamente concomitantemente com a constituição de um Conselho Consultivo, é necessário criar um Conselho de Família, que neste caso será também de sócios.
- Passagem de bastão
O sócio gestor decidiu se afastar da operação, mas, para transmitir a cultura para um CEO externo. Comparo isso com uma corrida de revezamento com bastão. Os dois terão que correr paralelamente por um tempo. O problema é que alguns dos executivos tentam prolongar este tempo, retardando a passagem do bastão.
Que outras sugestões você daria?
Fonte: “Conselheiro de Empresas” – Wanderlei Passarella; “Longevidade” – Renato Bernhoeft e Denise Mazzaferro; “Sucessão e Conflito em Empresa Familiar” – João Bosco Lodi.
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