O pai da burocracia, Max Weber, já alertava para os riscos do abuso dos conceitos que criou. Será que as empresas estão seguindo o conselho?
Dificilmente os Estados e os negócios poderiam ser geridos com os princípios básicos que Weber deixou no livro Economia e Sociedade (1922). Alguns deles:
– Autoridade: do cargo, não da pessoa. Esta regra não vale muito em algumas/muitas empresas familiares.
– Atribuição: cada um tem uma atribuição específica, com competências limitadas. Se isto for levado ao pé da letra, a empresa para. Por isto, esta regra tem que ser quebrada de vez em sempre.
– Hierarquia: obedecer ao de cima e comandar o de baixo. E quando o de cima está totalmente errado?
– Padronização: como agir quando os padrões são obsoletos?
– Profissionalização: somente o mérito e a competência são importantes. O nepotismo e o apadrinhamento desmontam esta regra.
No mesmo livro, Weber alertou que:
– A rigidez excessiva afeta a capacidade de adaptação às mudanças.
– O engessamento sufoca a criatividade.
– Uma jaula de ferro aprisiona gestores com controles, relatórios e reuniões. Ainda bem que Weber não viveu para ser sufocado pelas normas ISO e o ESG.
Cinco décadas depois, um dos meus grandes mentores, João Bosco Lodi, escreveu “Antiadministração”:
“A ordem burocrática está interferindo entre os produtos e serviços da organização e os seus clientes, o qual são a sua própria razão de ser”.
“Está chegando a hora de ‘desadministrar’ as organizações, torná-las mais ágeis, mais voltadas para os resultados e o cliente”.
E concluiu: “Um cliente não paga a administração, ele paga os bens e serviços da organização”.
Será que continuamos cometendo os mesmos erros que Weber e Lodi alertaram para não cometermos? Ou o rabo continua balançando o cachorro?
Fonte: “Antiadministração” – João Bosco Lodi.
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