Uma disputa filosófica antiga é sobre a bondade ou maldade intrínseca dos homens. Somos mais propensos a ser bons ou maus? Quer saber como isso influenciou os modelos de gestão de empresas?
Uma das minhas leituras nas férias foi a “Humanidade – Uma História Otimista do Homem”, do holandêsRutger Bregmann. A tese fundamental do livro é que os seres humanos não são maus por natureza, que é o princípio que justifica as intervenções e controles tanto do capitalismo quanto do comunismo. Seguindo esta linha, Frederick Taylor criou a teoria da Administração Científica, que revolucionou a linha de produção, mas tornou o empregado uma peça de uma grande engrenagem. Charles Chaplin mostrou isso de forma brilhante no filme Tempos Modernos. Será que este conceito continua válido nos tempos do home office, das big techs e do profissional que não quer mais casar com a empresa?
Os dois filósofos que encarnam a teoria do homem bom versus o mal, são Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau. Hobbes era o pessimista que acreditava na maldade das pessoas, que estão sempre em guerra contra todos. Isto exigia um estado forte, para nos salvar dos nossos instintos mais baixos. No seu famoso livro Leviatã que “a anarquia pode ser domada e a paz estabelecida – se todos concordamos em abrir mão da liberdade. Se nos entregarmos de corpo e alma às mãos de um único soberano”. Já Rousseau defendeu que no fundo todos somos bons e só a partir das instituições da sociedade civil nos tornamos maus. Até pouco tempo, Hobbes e Taylor determinaram a prática da gestão das empresas.
Em outra leitura durante o final do ano, mergulhei no “A Reinvenção da Empresa” dePaulo MonteiroeWanderlei Passarella,que em 2017, anteciparam alguns conceitos do livro de Bregmann de 2020. Eles propõem, seguindo a linha de Rousseau, que as empresas devem ser administradas em uma estrutura não hierárquica, com poder distribuído, sem grupos estanques, cuja comunicação flui de acordo com a situação e necessidade, baseada em uma transdisciplinaridade, já que podemos chegar a um nível de consciência mais elevado se não formos tolhidos pelos grilhões hobbesianos.
O conceito é um tanto quanto complicado. Vale a pena pensar em estruturas diferentes para gerir as empresas?
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