Fazer previsões sobre a taxa de câmbio de uma moeda é uma composição de fundamentos macroeconômicos (mensuráveis) com o humor do mercado, que varia ao sabor do vento como uma biruta de aeroporto. Quer saber um pouco mais, porque o real foi a moeda que mais valorizou em 2022 e o que pode acontecer daqui para frente?
É muito arriscado fazer previsões. Esta máxima vale para a relação da taxa de câmbio de moedas de países emergentes (Brasil) com moedas fortes como dólar e euro. Desde 1999, o Brasil adota o sistema de câmbio flutuante, no qual o valor da moeda é determinado pela oferta e demanda de produtos importados (compra e venda no Brasil) e exportados. O Banco Central só interfere no mercado para tentar evitar oscilações bruscas.
O valor de uma moeda é influenciado por dois conjuntos de fatores. O primeiro é composto por fatores macroeconômicos como o saldo da balança de pagamentos. Isto é o resultado da diferença entre o que o país recebe em exportações, remessas do exterior, juros, investimentos estrangeiros, royalties, etc. menos o que o país paga em importações, juros, gastos e investimentos no exterior. Quando as entradas são maiores do que as saídas, o país acumula reservas no exterior. O Brasil tem reservas de aproximadamente 376 bilhões de dólares, que pagariam por um ano e sete meses de importações, mesmo que não exportássemos nada. Isto é uma baita poupança que garante o valor do real. O segundo influenciador do câmbio é o chamado humor do mercado. Já tivemos um presidente tão ignorante que quis revogar a lei que rege o mercado (oferta e procura) para baixar a inflação e valorizar a moeda. O resultado foi a hiperinflação que só terminou com o Plano Real. Entre estes fatores, o mais importante é a expectativa sobre o controle dos gastos públicos. Quando o mercado acreditar que os gastos do governo estão fora de controle, vai embutir uma margem de segurança, que chamamos de precificação.
O real foi a moeda de países emergentes que mais valorizou em 2022 (mais de 8%). A pior foi o Peso Argentino, que perdeu 3,6%, mais do que a Grívnia da Ucrânia, que está à beira de uma guerra.
Considerando os fundamentos macroeconômicos, um dólar deveria estar custando R$ 4,60. O que inflacionou para 5,58 no final de 2021, foi o medo do mercado de que o governo acabaria com o Teto dos Gastos. Nas últimas semanas, mesmo com as indecências discutidas e votadas por um Congresso que vive em outro planeta, o mercado acredita que o Teto dos Gastos pode perder algumas telhas, mas continuará nos protegendo das chuvas e do sol. Por isto a valorização de 8%
O dólar deve continuar caindo, em acidentes de percurso (Guerra na Ucrânia), ou uma alta grande dos juros nos EUA. Dito isto, devemos lembrar de uma máxima de um ex-ministro da Fazenda: “O diabo do dólar flutuante é que ele flutua!”.
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