Uma das leis de Murphy diz que nadaestátão ruim que não possa piorar. Vamos saber um pouco mais sobre uma bolha queestáprestes a estourar e pode gerar uma crise pior do que a de2007/08?
Não é muito recomendado, muito menos comum, escrever sobre temas negativos naúltimasemana do ano. Não resisti a tentação depois de assistir um podcast no “Stoic Finance”, com comentários deCathie Wood.Como muitos sabem,um dos pilares dos Estoicos é se preocupar somente com aquilo que podemos controlar. Flexibilizando um pouco este conceito estoico, acredito que é importante conhecer o que pode nos afetar, mesmo que não possamos evitar os efeitos do problema. Otítulodo podcast é muito sugestivo: A China já entrou em colapso. Sei que vou provocar alguns que não concordaram commeus postssobre a impossibilidadede aChina assumir a hegemonia global, mas vamos jogar mais lenha na fogueira.
Ahistóriada economiaestá cheia de bolhas. Em 1636 as tulipas (sim,as flores) valiam mais do que casas. Em 2006/2007 a chamada crise dos “subprimes”(múltiplos financiamentos imobiliários) começou nos EUA e contaminou a economia mundial. ACathie Wood, investidora americana, mostra com números que o estouro da bolha imobiliária na China, faráa crise de 2007, parecer marolinha. Vamos aos números e argumentos.
1.Em 1990 todos previam que oJapão deixaria os EUA para trás.O preço dos imóveis subia como foguetes. No seu pico, a área do palácio Imperial em Tóquio (210.000metros quadrados) valia mais do que todos os imóveis do Estado da Califórnia (mais de 423 mil quilômetros quadrados). Hoje os imóveis da Chinasão valorizados pelo mercado por um valor superior aos dos EUA, Europa e Japão somados. Alguma coisa nãoestáerrada?
2.No pico da bolha japonesa,uma casa ou apartamento custava umas 18 vezes a renda anual dos japoneses. Na Chinaestácustando, em algumas cidades, 50 vezes.
3.Como os chineses não tem sistemaprevidenciárioe não confiam nos bancos, mais de 70% da poupança é aplicada em imóveis, não para morar, mas como reserva de valor. Eles apostam que os preços dos imóveis vão continuar subindo eternamente. A lei da gravidade da física, que um presidente brasileiro quis revocar, nos ensina que tudo que sobeinvariavelmenteirácair.
4.Para satisfazer aganância por imóveis, as incorporadoras chinesas construíram verdadeiras cidades fantasmas, com prédios inacabados. Os chineses os compravam, sabendo que não estavam concluídos, na expectativa de revender por um preço maior.
5.30% do PIB Chinês são gerados pela construção civil. Qualquer queda neste mercado acaba com o crescimento do PIB Chinês, levando junto o preço do minério de ferro, cimento, madeira e outros materiais da construção civil.
6.Uma recessão que reduz o crescimento do PIB, gera desemprego e torrauma boaparte da poupança da população. Éum barril de pólvora em uma ditadura que cobra a liberdade do povo pelo crescimento econômico.
Para romper uma bolha basta um alfinete. Este alfinete chama-se Evergrande, uma incorporadora chinesa que emprega diretamente mais de 1,4 milhões de pessoas. Ela já entrou em colapso, não conseguindo pagar os juros dadívidade 300bilhões de dólares. Alguém se atreve a prever o tamanho do estrago?
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