O mundo inteiro reclama dos políticos. Será que sempre foi assim? Quer acompanhar uma história minha, em Brasília, no final da década de 70?Entre 1975 e 1978 morei em Brasília, durante uma parte do mandato do meu pai como senador por Santa Catarina. Como empresário, ele teve algumas dificuldades para se adaptar (sic!) a vida de parlamentar no Planalto.Logo nos primeiros dias, quis colocar um relógio de ponto para controlar a presença dos funcionários do gabinete. Imaginem a reação da turma! No final do primeiro mês do mandato, foi pessoalmente devolver ao diretor do Senado, o que não havia gasto da sua cota de selos (não tinha e-mail e WhatsApp naquela época) e de gasolina do carro oficial. Aí quase chamaram o serviço médico para internar ele.Depois de algum tempo, ele teve que se adequar a algumas práticas (cobrar o horário dos funcionários, por exemplo), mas não abriu mão dos seus valores, mesmo que isso o tornasse um animal estranho naquele ninho. A bem da verdade, o Senado naquele tempo não tinha nada com o atual. Nomes como Teotônio Vilela, Jarbas Passarinho, Paulo Brossard, Petrônio Portela, Franco Montoro, entre outros, faziam discursos e mantinham debates de altíssimo nível e respeito. Passei algumas tardes assistindo às sessões do Senado.A história que quero contar, contudo, é bem menos nobre. Num final de semana, estávamos em um almoço no Clube do Congresso, com vários deputados de Santa Catarina. Eu somente escutava as discussões, até que um deputado saiu com a seguinte máxima: “Fui contra a eletrificação rural em uma cidade da minha região, porque o povo de lá ainda não está preparado para isto”. Foi aí que minha veia rebelde (tinha por quem puxar) me fez sair do sério. Interferi na conversa, dizendo ao deputado: o senhor foi contra a eletrificação porque seus eleitores teriam acesso a informações e não votariam em um idiota como o senhor.Você adivinha o que aconteceu?#ismarbecker #politica #populismo #economia #desenvolvimento #Congresso #Senado #Brasília



