PAÍS DO FAZ DE CONTA

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Por Ismar Roberto Becker

Juros estratosféricos, facções criminosas controlando milhões de pessoas, investimentos quase inexistentes, déficit fiscal explodindo, impostos subindo, produtividade da economia estagnada, estatais sangrando. O Brasil está à deriva?

Uma boa parte dos brasileiros parece sofrer de um caso avançado de dissonância cognitiva coletiva, termo criado pelo psicólogo Leon Festinger para descrever o desconforto mental que surge quando a realidade contradiz as próprias crenças. No (des) governo federal, praticamente a totalidade do alto escalão, a proporção dos afetados chega perto dos 100%.

Não encontro outra explicação para tentar entender o que um presidente de um país com todos estes problemas resolve mudar a capital do país para Belém, com um breve passeio para a Colômbia para defender Maduro e cutucar Trump.

Vamos deixar a ideologia de lado e colocar algumas perguntas práticas?

– Qual a probabilidade de algum avanço na agenda climática se três dos maiores geradores de CO² (EUA, China e Índia), que juntos geram 44,70% do total global, não se comprometem com a redução?

– Que impacto teria o Brasil, que gera 1% do CO² Global, além de ter matriz energética mais limpa do planeta, reduzir 50% da emissão?

– Quem confia em um (des) governo esbanjador, além de um histórico vermelho de corrupção, para investir no fundo para preservar as florestas tropicais (TFFF)?

– Qual o retorno para o Brasil, o presidente voar umas 12 horas, gastar uns 13.750 litros de querosene de aviação, que emitem umas 34 toneladas de CO², para discursar uns cinco minutos da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) com a União Europeia?

– Qual o retorno de um investimento (sic!) que já passa dos 800 milhões de reais, só na promoção da COP 30?

– Qual a força geopolítica que tem o Brasil, em falas do presidente em Belém e na Colômbia, para defender “uma justiça climática ligada ao combate à fome, à pobreza, ao racismo e à igualdade de gênero? ou o aumento da intolerância, o extremismo político, a manipulação da informação e o crime organizado como ameaças à democracia na região”?

Não vou tentar responder às perguntas, mas, para qualquer pessoa que não sofra de uma combinação de dissonância cognitiva aguda, combinada com um narcisismo doentio, nenhuma das respostas atende aos problemas listados no início do texto.

O que estamos assistindo é uma versão piorada do FeBeaPa – Festival de Besteira que Assola o País, dos livros de Stanislaw Ponte Preta, em 1966.

Alguém conhece tratamento para dissonância cognitiva?

#ismarbecker #política #segurança #economia #clima #MeioAmbiente

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