O trabalho, o estudo e o lazer devem se integrar para promover uma sociedade mais produtiva, inovadora e equilibrada. Isto é possível?
Nos meus primeiros 30 anos de carreira como caixeiro viajante, passei bem mais da metade do tempo viajando no Brasil e em mais de 70 países. Minha rotina era fazer a mala, carregar amostras, visitar clientes e, assim que terminasse, voltar para casa.
Até meu chefe, e pai, dizia: Ismar, fica mais um dia em Frankfurt, em New York, na Cidade do México, em Santiago, em Porto. Nunca segui seu conselho. Tem coisas que a gente aprende só com o tempo.
Já faz um tempo que tento seguir a sugestão do Domenico de Masi, autor da frase inicial, sobre manter um equilíbrio entre trabalho e lazer.
No ano passado, quando voltava de Pedreira, polo cerâmico próximo a Campinas, para São Bento do Sul, resolvi parar em Itu, para conversar com uma fonte de sabedoria, meu amigo José Roberto Rebello. Ele é um polímata e um arquivo vivo da história brasileira. O meio-dia que no passado eu teria “perdido” valeu como um spa mental e uma aula de história.
Nesta semana, tive uma reunião em Blumenau e duas em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Poderia ter comprido as três no mesmo dia. Aí lembrei do meu saudoso pai e das lições do Domenico de Masi, no livro ‘O Ócio Criativo’. Fiz um pequeno detour, para visitar o editor do Jornal do Médio Vale, Evandro Loss, que publica meus artigos há uns cinco anos.
Em um final de tarde de um dia e metade da manhã do dia seguinte, conversei com um amigo que acabou de vender sua participação em uma empresa familiar. Foi uma verdadeira aula de pragmatismo. Ele abriu mão de uma das presidências do Conselho, de uma considerável parte do valor da sua participação acionária, para viver melhor. Pode parecer fácil, mas garanto que não é.
À noite participei de um jantar em uma confraria, onde teoricamente não são admitidos estranhos. Fui aceito porque a maioria lê minhas colunas quinzenais. Viram como escrever vale a pena?
Como Timbó foi colonizada por germânicos e italianos, tivemos um colóquio internacional, que foi ficando mais fluido à medida que as garrafas de cerveja ficaram sem líquido.
Entre muitas conversas, tive uma lição de história da porcelana brasileira, que eu não sabia que tinha um pé em Timbó. A história foi mais original, por ser contada em alemão.
Na manhã seguinte, um pouco mais tarde do que o normal, saí para correr no centro de Timbó, passando pela barragem que movia uma roda de água do negócio da família Lorenz, hoje um atrativo turístico.
Para não ficar com sentimento de culpa, fui visitar a Krah Brasil, que usa peças de cerâmica técnica nos seus produtos. Em um caso de pura serendipidade (descoberta por acaso), acabei recebendo uma informação importantíssima para contatar com um potencial cliente.
Você acha que ambos os meios-dias que eu, teoricamente, deixei de trabalhar, valeram a pena?
Como está seu equilíbrio work/life?
Fonte: “Ócio Criativo”- Domenico de Masi.
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