O liberalismo deixou a China inundar o mundo com produtos subsidiados, destruindo empregos. Agora a China quer acabar com o liberalismo. Quer conhecer a história?
HISTÓRIA DE UM MASSACRE
Em 1972, Richard Nixon visitou a China com dois objetivos: tirar a China da influência da URSS e abrir o mercado americano para tornar a China uma democracia liberal. Acertou na primeira aposta, perdeu feio na segunda. A aposta na democracia foi dobrada com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio.
Em uma combinação de ingenuidade das democracias ocidentais, com o desrespeito de todas as regras do comércio internacional, da legislação trabalhista, do meio ambiente, da segurança no trabalho, da governança, a China se transformou na fábrica do mundo. Estima-se que os subsídios diretos do Estado às indústrias passem de 5% do PIB.
O resultado foi um verdadeiro massacre que dizimou inicialmente os setores low-tech (calçados, têxteis, cerâmica, brinquedos), avançou para midtech (eletrodomésticos, máquinas mais simples, painéis solares).
O plano China 2025, lançado em 2015, previa transformar a China de fábrica do mundo para uma superpotência tecnológica e industrial, com uma autossuficiência de 70% em setores como robótica, veículos elétricos, máquinas de precisão, semicondutores.
MUNDO FRAGMENTADO
A utopia do mundo liberal acabou. Foi substituída por um mundo fragmentado, segundo Niel Shering, em The Fractured World. A integração comercial foi substituída pela fragmentação estratégica. A cooperação virou competição entre blocos. Os mercados livres acabaram com o protecionismo. A estabilidade político-institucional tornou-se uma volatilidade permanente.
Uma das consequências dos milhões de empregos transferidos para a China, foi o crescimento de forças de populismo radical de extrema-direita, cuja figura mais visível é Trump.
O QUE SOBRA PARA O BRASIL?
O Brasil poderia se beneficiar desta briga de titãs, mas com um (des) governo comandado (sic) por um dinossauro ideológico, irremediavelmente acometido de megalomania narcisista, queremos bancar o Robin Hood do sul global, aliando-nos com os piores tiranos do planeta.
Poderíamos ser referência na economia, mas continuamos meros exportadores de commodities, que mantêm o país no jogo. Seríamos um porto seguro para investimentos estrangeiros diretos, mas gastamos tempo e dinheiro com um estado paquidérmico, uso das estatais para empregar a “companheirada” e encher os bolsos de corruPTos.
Qual o papel que o Brasil poderia ter neste mundo fraturado?
Fonte: “The Fractured World – How the World Came Apart and How to Put It Back Together” – Neil Shering.
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