Nunca na história deste país, um governo entregou o Banco Central para a Faria Lima. Quer saber por que isto aconteceu?
A independência do Banco Central é um dos pilares das democracias liberais. É uma das poucas vacinas contra o populismo fiscal, disfarçado de neokeynesianismo.
A Argentina kirchnerista e a Turquia de Erdogan são dois bons (ou péssimos?) exemplos das consequências da manipulação da taxa de juros pelo governo.
“A piora nas expectativas para prazos mais longos dificulta a convergência da inflação à meta e exige juros mais altos por mais tempo”.
“O cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas descoradas para prazos mais longos e exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
“Em função do cenário adverso para a dinâmica da inflação, é apropriado indicar que o ciclo de aumento dos juros não está encerrado, mas o próximo movimento deverá ser de menor magnitude”.
“Alguns indicadores mais recentes, como de serviços, indústria ou população ocupada, indicam moderação de crescimento após extraordinária resiliência no mercado de trabalho e na atividade econômica”.
“O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia” aquela que não estimula nem desestimula a economia”.
Este verdadeiro manual de macroeconomia poderia ter sido escrito por liberais como Friedrich Hayek, Milton Friedman ou Roberto Campos Neto, mas foi escrito pelos nove diretores do Banco Central Brasileiro, na última reunião do Copom. Detalhe importante: Todos, incluindo o presidente, foram indicados pelo governo GASTO É VIDA.
Juros altos afetam todos, mas, como na inflação, os mais pobres sofrem mais. Os juros dos empréstimos ficam mais caros, aumenta a inadimplência, os bancos restringem créditos, fica mais difícil comprar no crediário.
Os ricos também são afetados, mas com dinheiro aplicado, ganham com os títulos emitidos pelo governo. Não precisam fazer nada para ver seu dinheiro crescer.
Qualquer governo que não seja um analfabeto macroeconômico, sabe que tem que reduzir os déficits públicos, cortar gastos, incluindo aumentos salariais, reduzir subsídios para empresas, acabar com as renúncias fiscais e desonerações, desindexar benefícios do aumento do salário-mínimo.
Isenção de impostos, aprovação de um orçamento que é uma ficção, dar auxilio-gás e pé de meia, incentivar empréstimos consignados para empregados na iniciativa privada, para melhorar a popularidade do (des) governo, vai deflagrar:
Mais gastos = mais inflação = aumento de juros = aumento da dívida pública = mais inflação = aumento juros, acima dos da época da ensacadora de vento.
Como um governo que diz defender os pobres, deixa a Faria Lima tomar conta do Banco Central?
Fonte: Ata Copom.
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