O Brasil nunca teve contas externas tão boas. Somos credores líquidos em dólar. Teremos saldos da Balança Comercial de uns 100 bilhões de dólares anuais, até o final da década. Por que o mercado entrou em pânico?
Economia tem dois componentes:
- Indicadores Macroeconômicos internos/externos – números.
- Psicológicos – Expectativas do mercado.
Populistas mundo afora, negam o primeiro porque acreditam nas máximas de que “onde tem uma necessidade nasce um direito”, “gasto é vida”, “governos podem se endividar sem limite, porque emitem moeda”. Vamos ver porque a irresponsabilidade macroeconômica afeta o psicológico do mercado?
Interno: o crescimento do PIB surpreendeu positivamente. Foi de 0,8% no primeiro trimestre. Até o investimento aumentou. Mesmo com a catástrofe no Rio Grande do Sul, devemos ter crescido no segundo trimestre.
Externo: inflação não está caindo, mesmo com juros altos. Consumo aquecido, combinado com desemprego baixíssimo, obrigou o FED a manter os juros, que devem cair pouco até o final do ano.
O FED determina a taxa de juros mundiais. Se um país com risco quase zero (há controvérsias) paga 5,25 a 5.50% ao ano, com uma inflação projetada de 3%, um país com uma inflação semelhante, mas com risco interno alto (sem responsabilidade fiscal), tem que pagar uns 5 pontos a mais.
Conclusão: os juros do Brasil só caem quando os juros dos EUA caírem.
Em 2023, tivemos um déficit fiscal primário de 2,5% do PIB. Normalmente os governos abrem o caixa no último ano do mandato. Este (des) governo começou a festa no primeiro ano. A proposta aprovada pelo Congresso era zero em 24, superávit de 0,25% em 25 e 1% do PIB em 26, foi para o vinagre.
O mercado deu um voto de confiança, ao entender que não seria um poço sem fundo, como o da Nova Matriz Econômica. A lua de mel acabou quando a meta deste ano foi reduzida para zero, mesmo sabendo que teremos um déficit de uns 0,25%. Isto, somado com um Festival de Besteiras que assolou o país com as incontinências verbais do Aiatolá de Garanhuns, cobrou o preço: uma desvalorização de 14% do real, e um início de pânico no mercado. Melhorou um pouco com uma reunião de emergência, onde colocaram um esparadrapo na boca do chefe.
O Arcabouço Fiscal é uma peça de ficção. Só fica de pé com um enorme aumento da arrecadação. É a história do corretor de imóveis que gasta a comissão do imóvel que ainda não vendeu.
A conta não fecha porque mais de 50% das despesas foram indexadas pela inflação + aumento da arrecadação + aumento real do Salário-Mínimo. Sem mexer na Previdência, nos BPC/Loas (benefício para quem não pagou INSS) e nas despesas obrigatórias da Saúde e Educação, até 2026 não sobrará um tostão para investimentos.
Com a popularidade em queda, brigas internas aumentando, senilidade avançando, Janja reclamando, com que dinheiro o Aiatolá financiará a campanha?
Entendeu a Crônica da Morte Anunciada da economia brasileira?
Fonte: BTG Pactual – Radar da Semana – “Panorama Macro e Perspectivas Segundo Semestre” – Mansueto Almeida.
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