Muita calma nesta hora! Mesmo com o título ilógico, não deixem de ler o artigo. Em tempos em que a lógica da economia e da política parece não valer mais, pode ser que este título seja uma boa forma para começar a explicar a confusão na realidade brasileira e internacional. CENÁRIO NORMAL (para brasileiros) – Até uns 15 anos atrás o cenário político era bastante previsível, com dois partidos (Arena e MDB) até 1979, que foram substituídos por uns 5 ou 6, antes de chegar aos absurdos 33 de hoje. As mudanças de partidos eram raras, sendo que a maioria acontecia quando um novo partido era formado por integrantes de um dos já existentes. Na economia tivemos uma inflação obscena até 1994(Plano Real), mas devido a Correção Monetária, jabuticaba econômica inventada no Brasil, convivíamos (pelo menos os ricos) com ela. Atingimos uma espécie de efeito manada para aguentar tanto tempo com uma hiperflação. Os governos pagavam suas contas com o aumento dos impostos, que subiam automaticamente com a inflação. Quando isto não era suficiente, colocavam a maquininha para imprimir Cruzeiros, Cruzeiros Novos, Cruzados, Cruzados Novos, até chegar ao Real. A combinação dos direitos garantidos pelo Dicionário de Sonhos (nome mais adequado para a Constituição de 1988), com redução da inflação, provocou um aumento da carga tributaria de uns 20% em 1988, para os mais de 35% atuais. Isto irritou a classe média, que foi fundamental para derrubar presidentes e questionar o modelo nas últimas eleições gerais (2018).CENÁRIO ATUAL – O cenário acima que já vinha em acelerada mudança, recebeu dois empurrões: eleição de Bolsonaro e COVID. O primeiro prometeu governar sem os partidos com o lema “Mais Brasil, Menos Brasília”. O resultado prático é o Centrão, especializado em privatizar receitas e terceirizar prejuízos, mandado de fato. Nunca antes na história deste país (com crédito ao pai da frase) tivemos tanta corrupção quanto nos (des)governos petralhas. Saímos desta frigideira para cair no fogo de um ministério de alta rotatividade, com ministros que falam com Jesus em uma jabuticabeira, defendem que a Terra é plana, e não chegam a esquentar a cadeira. Só na Educação e Saúde já tivemos quatro desde o início do governo. A Petrobras, que já tinha sido terceirizada para as grandes empreiteiras e a quadrilha (ops! partido) no poder, foi saneada, passando a gerar lucros, apesar de estar aguardando seu quarto presidente. Na política partidária podemos reunir nosso modelo como uma: Rede fisiológica de Republicanos e Patriotas, com Cidadania que acredita, que Podemos na Solidariedade levar Avante um país Novo, Social Democrático e Cristão, sem espaço para pensamento Comunista e Socialista” FUTURO – Concordo que o resumo do caleidoscópio (ver definição no Google) partidário brasileiro, tem uma certa dose de ironia, mas como explicar as coligações partidárias em negociação para as eleições estaduais e presidenciais. Qual a explicação científica de uma chapa de Presidente e Vice, que eram inimigos do tipo água e azeite até pouco tempo? Como o eleitor vai saber de que lado está, em que proposta pode acreditar? Mudando para o cenário econômico, teoricamente mais racional e técnico, como entender o Dólar caindo no meio de uma guerra que deveria provocar sua valorização, por ser moeda de reserva segura? Qual a justificativa para as ações da Petrobras terem subido após uma queda da cotação do petróleo e da demissão do presidente da empresa, por ter aumentado o preço dos combustíveis? Emprestarei pensamentos de dois intelectuais para ajudar a entender o Brasil de 2022. No meio do Festival de Besteiras que Assola o País (titulo de livro de Stanislaw Ponte Preta), definitivamente o Brasil não é para principiantes (Tom Jobim)



