LICOES DE ECONOMIA – TENDENCIAS BC 0904

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Por Ismar Roberto Becker

A alta taxa de juros pode acabar com o Brasil. Quer ver o que pode ser mais mortal do que a alta taxa de juros?Aproveitei a Sexta-feira Santa para carregar pedras, já que o tempo estava ruim, e não tinha nada aberto. A metáfora de carregar pedras serve para explicar porque passei a manhã de um feriado assistindo, revendo e anotando os pensamentos do presidente do Banco Central, Roberto Campo Neto, sobre Desafios da Política Monetária. Para os que não negam a realidade, mas sofrem de um pouco de masoquismo, recomendo assistir entrevista que ele deu no Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI (disponível gratuitamente no YouTube). A mensagem, ou melhor aula, foi a resposta à pergunta sobre a proposta do arcabouço fiscal. Aperte os cintos antes de ler e entender o que o BC fará. Por falta de espaço, relacionei somente os conceitos chaves, com uma tentativa de tradução para a linguagem das ruas.1. Avaliação proposta Arcabouço Fiscal: a proposta eliminou o risco de cauda, sinalizando uma trajetória de controle e queda da dívida pública. Tradução: o mercado acredita que a dívida pública ficará sob controle e, com isso, a variação dos investimentos ficará dentro da distribuição normal. Isso reduz a expectativa de juros mais altos, além de aumentar a propensão para investir.2. Juros vão baixar rapidamente: O BC segue três pilares: Câmbio Flutuante, Âncora Monetária e Âncora Fiscal. Não existe uma relação direta e imediata entre a fiscal e a taxa de juros. Tradução: os juros não vão baixar tão cedo, independentemente do “jus sperniandi” do PR, e outros populistas de plantão. O BC, agora com autonomia, não vai repetir a irresponsabilidade criminosa de Alexandre Tombini, no (des) governo da ensacadora de vento, de combater a inflação com redução de juros.3. Âncora Monetária: O BC segue o sistema de metas de inflação, adotado por quase todas as maiores economias mundiais. A meta de inflação é definida pelo governo, não pelo BC. Tradução: Os juros continuarão altos até a inflação convergir para a meta atual, que não segue a máxima da ex-presidenta: “Não vamos colocar uma meta, deixaremos em aberto e, quando atingirmos ela, nós dobraremos a meta”.4. Custo combate à inflação: O custo de combate à inflação é alto, mas o custo de não combater é muito mais alto. Vimos isso não faz muito tempo no Brasil, e podemos ver hoje na Argentina. Tradução: Olhem para o custo econômico e social gerado pela Nova Matriz Econômica, com os mais pobres pagando a parcela maior. Escolham o mal menor.Para relaxar um pouco, cito duas frases de Roberto Campos (avô do presidente do BC):“Segundo Marx, para acabar com os males da miséria, basta distribuir. Foi fatal. Os socialistas nunca mais entenderam a escassez”.“Há uma característica comum aos vários governos socialistas. Todos passaram de fabricantes de utopias, para administradores de desilusão”.Qual das duas você acredita que descreve melhor o espírito do atual governo?#ismarbecker #economia #inflação #oportunidades

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