LIBERAIS NÃO TEM MESSIAS NEM AIATOLÁS

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Por Ismar Roberto Becker

O autoritarismo de direita ou esquerda são ameaças gêmeas à liberdade. Quer saber por que um ex-comunista provou isto?

No início de abril, estive no Fórum de Liberdade em Porto Alegre. Confesso que saí preocupado com as posições sectárias, quase tribais, de alguns dos palestrantes, apoiadas por muitos da plateia.

Para delimitar o campo das prováveis críticas dos dois lados, esclareço que o sectário é alguém que tem uma visão intolerante, intransigente, da seita a qual pertence. Já tribo é uma organização em uma sociedade onde os papéis de cada indivíduo são claramente definidos, além de imutáveis. Um verdadeiro liberal sabe que a diversidade de valores é um dos pilares de uma sociedade aberta.

Defender que tentou destruir a democracia no Brasil, mesmo que em nome de uma proteção contra um (des) governo populista, não é liberalismo.

Para me defender das pedradas que levarei, pedi ajuda a dois grandes liberais, que flertaram com o comunismo por algum tempo: Mario Vargas Llosa, que nos deixou há alguns dias, e Karl Popper.

Os fundamentos que todos os liberais compartilham são:

– Primazia do indivíduo sobre o coletivo.

– Liberdade de expressão, de pensamento, de atividade econômica, não como um fim, mas como meio de evolução para uma vida digna.

– Estado de direito com justiça, leis claras e alternância de poder.

– Economia de mercado, que é imperfeita, mas muito mais eficiente do que a centralizada

– Pluralismo e tolerância, aceitando erros próprios e opiniões dos adversários. Não existe verdade única.

Não somos uma religião, seita, culto, tribo, onde um iluminado infalível, inimputável, idolatrado pode fazer o que quer. Onde todos são iguais, mas um é igual ao que todos os outros.

Liberais são aves raras na fauna política brasileira. Nas últimas décadas, o maior destaque é Roberto Campos, economista, escritor e político. Nos intelectuais, merecem destaque especial José Guilherme Merquior, Celso Lafer e Miguel Reale. Como políticos, Marco Maciel. Apesar de admirar o Paulo Guedes, excluí ele da lista dos grandes, pelas gastanças eleitorais. De um governo liberal, não chegamos nem perto.

No triste, ou tétrico, cenário político atual, mesmo alguns políticos que se denominam liberais, alguns deles estiveram no Fórum da Liberdade, esqueceram que não somos parte de uma tribo, onde o chefe e seus filhos tudo podem.

Um liberal não segue iluminado do monopólio da verdade, da infalibilidade. Um liberal tem a coragem de escolher, que foi o tema do Fórum da Liberdade. Escolher não é ficar incondicionalmente de um lado, só porque o outro é ruim. Não é apoiar o menos pior. Não sairemos deste maniqueísmo sendo da tribo do Messias de Glicério ou do Aiatolá de Garanhuns.

Podemos sonhar com um governo liberal no Brasil?

Fonte: “O Chamado da Tribo” – Mario Vargas Llosa; “A Sociedade Aberta e Seus Inimigos” – Karl Popper; “História do Liberalismo Brasileiro” – Paulo Paim.

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