“Um povo que não conhece sua história está fadado a repeti-la”, já disse Edmund Burke. Os últimos dias foram prolixos em declarações desastradas do nosso presidente, de alguns ministros e parlamentares, que não seguem esta sábia lição. As asneiras vão desde o congelamento de preços, taxação de exportações de petróleo, CPI e até a privatização da Petrobras. Esta última é uma ótima ideia, mas não resolveria o aumento dos combustíveis. Os aumentos dos combustíveis não são causados pela ganância da Petrobras, nem para prejudicar a reeleição do Presidente, mas pelo aumento do petróleo e gás, ocasionado pela invasão da Ucrânia. Evidentemente, que ninguém está contente com os seguidos aumentos dos combustíveis, principalmente do óleo diesel, mas isto não justifica propostas milagrosas, que podem arruinar a estabilidade conseguida com o Plano Real. Para tentar ajudar nossas autoridades, vou relembrar três fatos históricos. A primeira tentativa de congelamento de preços, aconteceu lá pelo ano 300, quando o Imperador romano Diocleciano impôs a pena de morte para quem vendesse ou comprasse acima do preço tabelado. Como a inflação era causada pelo excesso de gastos públicos, não adiantou nada, e ele não puniu os infratores porque ficaria sem súditos. Uma mais recente aconteceu no Brasil, com o Plano Cruzado em 1986. Entre outras trapalhadas, o exército foi convocado para confiscar bois no pasto. Curiosamente o congelamento acabou dias após a eleição, que resultou em uma vitória histórica do PMDB, do presidente Sarney. O último exemplo, do qual todos lembramos, foi o catastrófico (des) governo da Presidenta(no português dela). Entre outras trapalhadas, ela baixou artificialmente os juros e segurou aumentos nos preços de combustíveis, contrariando as leis do mercado. O resultado foi o seu impeachment, a maior inflação desde o Plano Real, com a maior taxa de desemprego da história, além de pavimentar a derrota do modelo petralha.O preço dos combustíveis nas economias de mercado é definido por quatro variáveis: cotação internacional do petróleo, custos de refino, impostos e subsídios. Isto explica porque a gasolina mais barata do mundo (R$ 0,11) é a da Venezuela, enquanto a mais cara (R$ 15,40) é de Hong Kong. Depois que a Petrobras quase quebrou em 2013, a empresa passou a calcular os preços pela Paridade Internacional. Foi a forma encontrada para evitar o uso da empresa para fins políticos populistas e do Centrão. Mesmo após o último aumento, nossos preços estão abaixo da média mundial. O argumento de que somos autossuficientes em petróleo, não vale porque temos que impostar 25% do diesel e 7% da gasolina que consumimos, graças a roubalheira que atrasou ou impediu a construção das refinarias.Uma empresa, pública ou privada tem que gerar lucro para investir e remunerar seus acionistas. Dois exemplos de desvio nestes princípios são a mexicana Pemex e a venezuelana PDVSA, que viram sua produção despencar, mesmo estando sentadas nas maiores reservas mundiais. Depois do assalto petralha, a Petrobras implementou regras de governança, que obrigam seu Conselho de Administração, seu presidente e diretores seguirem uma regra básica: vender com lucro. Nos últimos anos este lucro foi usado para pagar a dívida gerada pelo descontrole petralha, alem de pagar dividendos, dos quais a metade vai para o Governo. Segurar os preços representará um prejuízo equivalente ao lucro que a empresa teve no ano passado. Não existe uma solução mágica, até o final da invasão da Ucrânia, o que pode levar tempo. Até lá todo o planeta sofrerá pela irracionalidade criminosa de um autocrata. O máximo que o governo brasileiro pode fazer é tentar negociar (não impor) com os estados uma redução temporária do ICMS, já que eles tiveram um aumento absurdo de arrecadação devido ao aumento dos preços dos combustíveis. Usar outras artimanhas para reduzir o preço, que tem um objetivo unicamente eleitoreiro, vai provocar a seguinte reação Bomba orçamentária no próximo ano — Desvalorização do Real – Aumento ainda mais forte da inflação, causado pelo aumento de gastos do governo. O primeiro congelamento de preços (Roma de Diocleciano) foi o grande responsável pela queda do Império Romano. Será que não aprendemos com a história?



