Ganhou, mas não levou. Perdeu, mas cresceu e se fortaleceu. Apostou e não vai mais governar. Quer saber porque este é o resumo das eleições na França, e quais são as lições para o Brasil?
RESULTADO ELEIÇÕES 2024
As manchetes de 9 entre 10 dos grandes jornais mundiais após as eleições francesas foram: VITÓRIA DA ESQUERDA; DERROTA DA EXTREMA-DIREITA; MACROM PERDEU A APOSTA. Todas estão parcialmente corretas, mas vamos aos números:
A coligação de esquerda (NFP) fez 188 deputados (32,68% do Parlamento), mas teve só com 26,3% dos votos populares. O partido do presidente Macron fez 167 deputados, com 27,9% dos votos. A coligação de direita teve 37,1% dos votos, mas fez só 142 deputados. Dois outros partidos fizeram 86 deputados com 8,6% dos votos.
Podemos tirar quatro conclusões destes números:
- A esquerda fez a maior bancada, mas não fez a maioria.
- A direita aumentou 53% dos deputados, e com a liderança nos votos populares, começou bem na corrida para a eleição presidencial de 2027.
- Macron foi o grande perdedor, com 27% a menos de deputados.
- O país fica ingovernável, porque as diferenças ideológicas e fisiológicas (orçamento) são quase irreconciliáveis.
BODES NA SALA
Teoricamente, Macron tem menos problemas com a coligação de esquerda. O problema, contudo, tem nome e sobrenome: Jean-Luc Mélenchon. Este personagem é uma combinação de Zé Dirceu com Pedro Stédile, mais para segundo do que para o primeiro. Suas promessas de campanha aumentariam o déficit fiscal de 6 para 8% do PIB, no primeiro ano.
O segundo bode na sala, é que Macron terá que convocar novas eleições em 1 ano, se não conseguir uma coligação operacional.
O terceiro é o orçamento fiscal (sempre este maldito fiscal) de 2025, que tem que ser aprovado pelo parlamento europeu. Se o atual já estourou os limites da União Europeia, imagina se entrar a raposa-vermelha no galinheiro.
Será que o General De Gaulle tinha razão quando disse que “é difícil governar um país que produz 365 tipos de queijo”?
REAÇÃO TUPINIQUIM
O Demiurgo de Garanhuns foi o primeiro a comemorar a vitória parcial do Mélenchon com um conselho por WhatsApp: “Dépenser, c’est la vie! (Gasto é Vida!).
Fontes: UnHeard – “Has Populism been twarded in France?; The Spectator – Andrew Neil – “This in not a good time for Western Leadership”; CNN Brasil – “Análise: O Risco de ingovernabilidade na França”.
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