A ordem mundial que começou no fim da Segunda Guerra Mundial acabou. Quer saber o que vai acontecer com os países que não entenderam isto?
Para economizar tempo dos maniqueístas da direita e esquerda, resumo as premissas desta reflexão. Aqueles que não entendem algum dos seis pontos podem passar para outro post.
– A tentativa de Trump de interferir política brasileira é ilegal e inaceitável.
– Trump já fez ameaças piores contra o Canadá, Panamá, Dinamarca/Groenlândia.
– O presidente do Brasil não pode interferir na política de outros países (artigo 4 da Constituição) como fez nos EUA e na Argentina.
– O presidente do Brasil é chefe do Estado brasileiro, não do seu partido, da sua família ou da sua facção, como faz o atual e fez o anterior.
– O filhote do ex-presidente está cometendo um crime de lesa-pátria, por colaborar com um Estado Estrangeiro.
– O Aiatolá de Garanhuns passará por uma humilhação pública, como o Zelensky, por fazer campanha a favor da Kamala, proibido pelo artigo quarto da Constituição.
Telegraficamente, alguém traduz para os mais jovens. Tentarei resumir onde estamos e para onde vamos.
O mundo era globalizado, com livre trânsito de mercadorias, tecnologia e pessoas e tarifas de importação baixas. Depois da visita de Nixon à China (1972) e da morte de um dos maiores criminosos da história (Mao Zedong), começou uma revolução industrial capitalista no maior país comunista. Já faz algum tempo que a China se tornou a fábrica do mundo, dizimando setores industriais de brinquedos, porcelana, painéis solares e, agora, carros elétricos. Pior do que isto, o mundo depende da China para produzir remédios (substâncias ativas) e no processamento das terras raras, fundamentais para produtos de alta tecnologia.
Sem qualquer juízo de valor, nem concordando com ele, Trump acabou com a velha ordem global. Ainda não está claro se ele vai conseguir criar uma nova, mas, enquanto ele estiver na presidência, as regras do jogo são outras. A maior potência econômica e militar depende do bom ou mau-humor do presidente. Os “Founding Fathers” que escreveram a Constituição Americana devem estar se revirando nos túmulos.
Desde o Liberation Day, que praticamente paralisou o comércio internacional, a União Europeia, Japão, Austrália, Filipinas, Reino Unido já negociaram acordos com Trump para reduzir a dimensão do prejuízo. A China, maior parceiro comercial, e maior inimigo geopolítico, ganhou mais três meses de trégua nas tarifas. Trump já colocou na mesa uma das condições para um acordo: quadruplicar as importações de soja dos EUA. Isto acabaria com as exportações de soja do Brasil.
Fazer projeções sobre o futuro é arriscado, já disse Niels Bohr. Não sei quanto tempo o (des) governo brasileiro continuará negando a realidade desta nova e desconfortável Ordem Mundial. Só sei que os brasileiros pagarão um preço alto.
Você tem alguma sugestão para sairmos dessa sinuca de bico?
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