DOENÇA AMÉRICA LATINA

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Por Ismar Roberto Becker

A inflação, a pobreza, o baixo crescimento e a concentração de renda são o resultado de boas ideias, mas aplicadas. Quer saber por quê?

Em tempos de crise, o mercado sozinho não resolve o problema. O Estado deve intervir, aumentando gastos públicos e reduzindo juros, para estimular a demanda agregada, reativar a produção e o emprego. O New Deal, que tirou os EUA da grande crise de 29, adotou essas medidas, bem antes de John Maynard Keynes publicar a Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda. A aplicação das propostas de Keynes, muitas vezes em doses exageradas, é o principal responsável pela miséria endêmica na região. Vamos ver como três das suas propostas não passam de falácias, baseadas nas crises autoinfligidas da América do Sul.

  1. Multiplicador mágico

Um real gasto geraria dois ou três reais de impacto no PIB, porque o real injetado circularia por várias mãos, gerando consumo e impostos. Em resumo, o Estado pode gerar riqueza gastando dinheiro que não tem em caixa.

Na economia real, não existe a geração espontânea de dinheiro do Estado. Ele só aparece no caixa após a cobrança de impostos, pela emissão de dívida, que depois tem que ser paga com juros, ou emitindo moeda, que gera inflação. Não é o Banco Central ou a Faria Lima que definem juros. É o mercado.

  1. Armadilha da liquidez

Quando o consumo/investimento está baixo, o Estado deve baixar os juros. Quando os juros baixos não estimulam o consumo, significa que os agentes econômicos (consumidores e investidores) estão pessimistas, por isto o Estado deve gastar mais, não importa onde.

O problema não é a falta de liquidez, para a maioria dos agentes econômicos. É a constatação de que poderão vir tempos difíceis pela frente. Juros artificialmente baixos criam um desalinhamento de preços relativos e investimentos sem retorno.

  1. Demanda agregada

Quando falta demanda (gasto ou investimento), o Estado deve aplicar uma política agressiva para estimulá-la.

Excesso de moeda no mercado cria uma demanda irreal, acima da capacidade de produção instalada, que leva ao aumento de preços, uma importação. Juros baixos levam a investimentos em projetos que não teriam retorno em uma situação normal. Na prática, isto só barriga os ajustes na economia, que virão com mais força depois.

O pior exemplo do Keynesianismo na América do Sul é a Argentina, que conseguiu sair da lista dos países mais ricos do planeta para um dos mais pobres. O segundo é o Brasil entre 2006 e 2016, onde (desgovernos) populistas conseguiram gerar a segunda maior recessão em um país que não está em guerra, o maior desemprego e a maior inflação desde o Plano Real.

Qualquer semelhança com o “Gasto é Vida”, não é coincidência. Estamos em pleno voo da galinha, que será abatida pelas falácias keynesianas.

Quanto tempo vai durar o voo da galinha desta vez?

Fonte: “Mises vs Keynes: El Debate Que Keynes Perdió y Los Gobiernos Ocultaron” – El Legado de Mises.

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