A Alemanha vota neste domingo (23/02). Será que voltará a ter um governo que resolva os problemas do país ou vai continuar a ter um governo que é o problema?
Essa é a pergunta que todos os analistas políticos sérios fazem na, possivelmente, segunda eleição mais importante do mundo. Vamos analisar os cenários?
Desde 1949, a Alemanha teve 9 Kanzler, como é chamado o primeiro-ministro. Até 1969, governou o CDU/CSU, conservador, depois o SPD, social-democrata, ou uma coligação deles, com uma breve participação do FDP, liberal e dos Grüne.
Após 16 anos de gestão anestesiada de Merkel, a coligação Ampel (SPD, Grüne e FDP) assumiu. Seria como unir “Gasto é Vida” e Roberto Campos Neto no Brasil. O governo fracassou, e o AfD dobrou votos, tornando o PL brasileiro moderado em comparação.
As últimas pesquisas para a eleição indicavam a CDU/CSU como vencedor com 28 a 32%. Os outros da esquerda têm as seguintes intenções de voto: SPD 14 a 16%, Grüne 13 a 14%, Die Linke 4 a 8%, BSW 5 a 6%, outros aparecem com 5 a 8%. Para fechar a conta, vem a AfD com 20 a 21%.
Friedrich Merz ganha, mas pode não levar porque terá que fazer uma coligação. O candidato natural seria a AfD, mas todos os partidos estabeleceram o chamado Brandmauer (cordão contrafogo), prometendo não os deixar entrar no governo. Isto significa que Merz terá que coligar com o SPD e Grüne, que deverão impor sua agenda climática, de escancaramento das fronteiras, igualitária, burocrática, ou seja, um Woke Alemão.
Na burocrática Alemanha, formar governo exige longas negociações. A coligação Ampel gerou um acordo de 140 páginas, com cláusulas de Angelrecht (direito de pesca) a Zivilschutz (Defesa Civil).
O Merz já deixou claro que quer definir uma agenda para mudança política com quatro pilares: imigração, economia, estado social e segurança. A chance de conseguir é equivalente a um cavalo de pau do (des) governo brasileiro, rumo à responsabilidade fiscal.
Baseado nas pesquisas, os partidos de direita (centro até extremo) terão entre 52 e 58% dos votos. O de Esquerda entre 36 e 44%. Como a provável coligação será com dois da esquerda (SPD e Grüne) que têm entre 27 e 30%, eles terão o poder de vetar qualquer ação para diminuir o monstro burocrático, a invasão de imigrantes, uma política climática utópica, afundando ainda mais o país.
No parlamentarismo, um governo cai se perder a maioria. Em uma coligação tão improvável quanto jacaré e porco-espinho, o risco é alto. Os pontos de atrito são pautas centrais da AfD, cuja líder, Angela Weidel, tem grande poder de comunicação. Descontentes do CDU/CSU de Merz migrarão à direita. Mesmo sem maioria, a AfD não poderá ser ignorada.
Você sabia dessa frágil situação política?
Fonte: Sieben Lektionen für eine bessere Politik nach der Wahl, WirtschafsWoche; How Germany’s far right rose again, Gzero; Wer Regiert Deutschland nach dem 23.Februar, Werner Patzelt, Hyslop Uncut.
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