“Os problemas do Brasil vão além do desequilíbrio fiscal. Maus gastos, ineficiência, parasitismos e atrasos estruturais causam muito mais estrago”. Um país desses tem jeito?
Para responder à pergunta de 1 bilhão de dólares, o Market Makers fez um resumo das entrevistas com sete dos mestres do mercado financeiro brasileiro. O Dossiê Brasil é um check-up dos nossos problemas estruturais, com um cardápio de soluções que possibilitaram um crescimento sustentado.
- IDEOLOGIA FISCAL
Para manter o “Gasto é Vida”, a resposta é aumentar os impostos. Como temos uma carga tributária de país desenvolvido, a sociedade não aceita aumento ou novos impostos. A criação de novos gastos somada à indexação de despesas obrigatórias, das aposentadorias, do Fundeb e da BPC, vai acabar com as despesas discricionárias. O governo será um mero repassador de impostos. Sobram 6% da arrecadação para o governo decidir onde investir.
- CRISTALIZAÇÃO GASTOS
É quase impossível acabar ou reduzir algumas despesas. No máximo, dá para reduzir seu crescimento. Programas que já deveriam ter sido extintos são intocáveis. Alguns exemplos: Zona Franca de Manaus, isenção de impostos às igrejas, incentivos ao setor elétrico e automobilístico, desvinculação da folha, Perse.
- CRIATIVIDADE CONTÁBIL
Lançar receitas eventuais como primárias e excluir despesas primárias do orçamento, metodologias na Nova Matriz Econômica estão sendo resgatadas. O nome disto é política parafiscal, muito difícil de acompanhar.
- DESBALANCEAMENTO
Acabou o presidencialismo de coalizão. O Legislativo está avançando no orçamento, o Judiciário se tornou um Legislador Supletivo. Se um dos dois poderes não concorda, judicializa-se a questão.
- CICLOTOMIA AVANÇOS
Seguimos a máxima de uma no prego, outra na ferradura. Os avanços para modernizar, descomplicar o mercado são lentamente revogados por decisões judiciais ou políticas.
- REMÉDIO AMARGO
A economia está aquecida por anabolizantes (estímulos). Um consumo subindo acima da produção gera inflação, combatida com aumento de juros. O BC já definiu dois aumentos de 1%, e deverão vir mais. Isto aumenta a conta dos juros da dívida pública, que aumenta em valores absolutos e em relação ao PIB. A consequência é a perda de credibilidade, que provoca desvalorização do Real, que gera mais inflação. Resumindo: podemos entrar em um círculo econômico vicioso.
- DILEMA DO IMPERADOR
Vimos com Itamar Franco e Temer que seja possível organizar a casa. Para isto é necessária vontade e capital político. Segundo o Prof. Yuhua, os imperadores chineses viviam um dilema de dividir poder com elites locais e burocratas, ou centralizá-lo, reduzindo o papel das elites. O dilema do nosso imperador é pior, porque ele já delegou quase todo poder às elites regionais e locais.
Você tem alguma outra sugestão?
Fonte: Dossiê Brasil – Market Makers – The Investor; Pekingology Overcoming the Emperors Dilema, prof. Wang Yuhua.
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