Além dos milhares de mortos em guerras, catástrofes naturais e fome, tivemos outros óbitos em 2024. Um deles foi o acrônimo ESG. Quer saber por quê?
Nas terças-feiras, escrevo sobre gestão aqui no LinkedIn. Um dos temas que mais gerou polêmica foi o modismo ESG. O que era um movimento natural das empresas, tornou-se uma causa ideológica e um negócio para os que criam dificuldades para vender facilidades. Consultores e certificadores proliferam como fungos.
ALQUIMIA REVERSA
A alquimia prometia transmutar metais inferiores em ouro. Interesses obtusos, financeiros ou ideológicos transformam boas ideias em desastres. Este foi o caso de uma preocupação que já estava na agenda das empresas há muito tempo. Quando se tornou uma seita, entrou em ação a terceira lei de Newton: a cada ação corresponde uma reação, igual e em sentido contrário. Primeiro um dos grandes profetas da seita, Larry Fink, parou de usar o acrônimo por estar politizado. Esqueceu de dizer que ele foi um dos politizaram o tema. Daí em diante, ficou claro que o rei estava nu.
“O ESG não engloba mais a complexidade do tema. Fomos diluindo práticas já incorporadas sob uma perspectiva que se apresentou nova, mas que, no final das contas, tinha pouco fundamento. Em alguns casos, retrocesso”.
“O ESG tem metas reducionistas, e se tornou em grande medida uma ferramenta de marketing”.
“Muitas empresas que assinaram compromissos públicos de redução de emissões e aumento de diversidade, por exemplo, não tinham planos concretos para isto, nem orçamento, e a promessa serviu apenas para as fotos de divulgação”.
Os comentários acima, refletem perfeitamente as críticas que fiz em 2024, que resumo ironicamente como o rabo balança o cachorro. O que dá muitíssimo mais peso aos comentários é que eles são de alguém que se dedica ao tema há mais de 20 anos:
Fernando Modé, CEO do Boticário, sendo uma empresa que pratica os fundamentos do ESG, não os usa como ferramentas de marketing. Tive o privilégio de conversar com o Modé sobre isso em um almoço há uns três anos.
ORDEM DOS FATORES ALTERA RESULTADO
Somente os terraplanistas não entendem a importância de cuidar do meio ambiente (E), dos stakeholders internos e externos (S), além das práticas e da ética de governança (G). O problema está na ordem do acrônimo.
Há mais de 50 anos que Milton Friedman cunhou uma frase épica: “O negócio do negócio é o negócio”. Sem gerar resultados, uma empresa ou um país afunda. Sem o “G”, que gera resultados, o “E” e “S” não ficam em pé. Para quem duvida, basta olhar os resultados de um grande concorrente do Grupo Boticário.
O rei ESG morreu. Viva o rei GES.
Quem matou o ESG?
Fonte: Braziljournal – “O Boticário quer mais amor, menos ESG” – Rodrigo Caetano.
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