Um avião não cai por uma única causa. O mesmo acontece com os países. Quer saber como uma mulher foi a grande responsável pela decadência da Alemanha?
Sou descendente de germânicos, morei na Alemanha. Por isto, não tenho razões para criticar a Alemanha, mas, exatamente por isto, tenho razões para criticar uma das grandes responsáveis pela decadência alemã: Muti Merkel.
Saída da energia nuclear, socorro Grécia, escancaramento das fronteiras, lockdown Covid. Em 16 anos de governo, onde o mantra era “Não balance o barco”, quase nenhuma decisão estratégica foi tomada pela primeira-ministra. Dessas poucas, quase todas foram erradas.
Evidentemente, a Muti Merkel não reconhece nenhum desses erros na sua autobiografia. Não foi ela que errou, os outros entenderam mal. Qualquer semelhança com o Aiatolá de Garanhuns não é coincidência.
COMO FICOU 15 ANOS NO PODER?
Esta resposta é simples: combinação de maquiavelismo político e zona de conforto dos alemães. Ela acabou com todos os possíveis adversários, dentro e fora do partido. A maioria dos ministros tinha pouca qualificação técnica e/ou política.
Como o principal objetivo da grande maioria dos alemães são as férias, prolongadas pelo “krankfeiern” (brincar de doente, em tradução livre), sendo mais uns 10, por que eles iriam mudar?
Resumindo: “Tudo deve mudar para que tudo fique como está”, como diz o protagonista de O Leopardo, de Giuseppe di Lampedusa.
Quando estava começando sua carreira política, na Alemanha recém-unificada, a então Ministra das Mulheres e dos Jovens deu uma entrevista (fonte abaixo), da qual destaco dois pontos:
– Censo de cautela na política, com um foco no que era viável, ao invés de se deixar levar por idealismos ou promessas grandiosas. Fazer pequenas e graduais mudanças, avaliando cuidadosamente as consequências.
Resultou em uma infraestrutura viária sem manutenção, DB (ferrovias) que ninguém sabe quando o trem sai ou chega, internet sofrível, Forças Armadas sucateadas.
– Vida na DDR (Alemanha Oriental): tínhamos uma vida feliz, vivendo em família e passando férias.
Interessante ela ter vindo para o lado de cá. Será que ela quis implantar o modelo “tenho pouco, mas não corro riscos” do lado de cá?
O modelo de negócios baseado em exportação de manufaturados, principalmente automóveis, e para a China, gás barato da Rússia e segurança garantida pelos EUA acabaram.
Quem deverá descascar este pepino é Friedrich Merz, cujo partido, deverá ter uns 30% dos votos. O problema é que terá que fazer uma coligação com um, ou dois partidos. Deverá levar uns meses até fecharem um acordo que terá umas 200 páginas, 99 prioridades e totalmente utópico. O que acontecerá depois, nem Deus sabe.
Você ainda quer sair do Brasil?
Fontes: “Can Friedrich Merz save Germany- and Europe?” – The Economist.
“Günter Gaus ins Gespräch mit Angela Merkel – 1991” Zur Person; “Merkels Bilanz – vom Ende her gedacht” – Cicero – Magazin für Politische Kultur.
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