Existe uma fantasia recorrente no mundo corporativo: após uma carreira bem-sucedida, o executivo “sobe” para um conselho, mantém status, complementa renda e reduz o esforço.
Essa visão está errada e é perigosa para as empresas.
Conselho não é prêmio. É função crítica, especialmente em empresas familiares, onde conflitos, emoções e decisões patrimoniais se misturam.
Quando entendi que minha inteligência fluida (agilidade operacional) já não era a principal vantagem competitiva, ficou claro que o valor estaria em outra dimensão: inteligência cristalizada — experiência, julgamento, síntese, leitura de contexto.
Foi isso que me levou ao mundo dos Conselhos Consultivos, não ao formalismo dos Conselhos de Administração tradicionais. Burocracia, rituais vazios e clubes de indicação cruzada não geram valor. Gente boa, preparada e independente gera.
Nos conselhos em que atuo, os soft skills importam mais do que os hard skills.
E isso não é retórica. É sobrevivência.
Baseado no trabalho de Wanderlei Passarella, autor de Conselheiro de Empresas, resumo os 10 mandamentos práticos de um conselheiro que agrega valor de verdade:
- Aprender sempre: lifelong learning não é virtude moral. É requisito para não ficar obsoleto num mundo VUCA.
- Flexibilidade intelectual: partituras não bastam mais. Conselheiro precisa “tocar de ouvido”, usando repertório acumulado e julgamento.
- Construir confiança: sem relação de confiança com acionistas, família e executivos, o conselho vira teatro.
- Ler o não dito: organogramas mostram cargos. Funcionogramas mostram poder real. Conselheiro precisa enxergar ambos.
- Mentalidade estoica: aceitar o que não pode ser mudado, agir sobre o que pode e mitigar o resto. Drama não é estratégia.
- Capacidade de síntese: provocar o contraditório e buscar decisões colegiadas. Conselho não é palco para egos monocráticos.
- Pragmatismo: feito é melhor que perfeito. O tempo não espera a utopia.
- Criação real de valor: sem ideologia e sem demagogia. Valor vem antes do discurso ESG — inverter a ordem cobra juros altos. Vide casos recentes no Brasil.
- Sabedoria ampla: como dizia João Bosco Lodi, visão holística importa. Filosofia, história, psicologia e literatura ajudam mais do que modismos de gestão.
- Respeito ao tempo: conselheiros têm mais passado do que futuro. Por isso, tempo qualitativo (Kairós) vale mais do que horas de relógio (Kronos).
Conselho não é lugar para descansar. É lugar para assumir responsabilidade.
Quais desses mandamentos você realmente pratica e quais ainda subestima?
Fonte: Conselheiro de Empresas – Wanderlei Passarella.
Texto original de Ismar Becker, reescrito pelo ChatGPT.
#ismarbecker #governança #liderança #EmpresaFamiliar #LifelongLearning



