Estas parecem ser as categorias ideológicas no Brasil. Você deve estar na esquerda ou na direita radicais. Mas há alternativa para esta divisão que está destruindo o país.
O Brasil está dividido entre dois extremos populistas, personalistas e excludentes. De um lado, o estatismo coletivista identitário da esquerda. Do outro, o discurso pseudoliberal, conservador, messiânico da direita. Apesar do discurso distinto, os dois convergem em:
- Fidelidade canina ao líder;
- Supressão da liberdade individual ao Estado ou à Religião/Causa/Família.
Analisar as causas deste paradoxo, e possíveis soluções, é o tema da minha palestra no Fórum de Liderança e Liberdade, dia 12 de setembro, em Joinville, SC: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA LIBERAL BRASILEIRO.
Desde a eleição de 2018 vivemos o Pêndulo de Schopenhauer, variando entre intervencionismo estatal e uma aventura populista que se diz liberal, mas é conservadora. Ambos fragilizam instituições e direitos.
Como estudante da UnB no regime militar, tinha que ser esquerdista. Depois de ver a cerca que separava a Alemanha, fui ao outro extremo, até aprender que receitas simplistas não resolvem. Aprendi na gestão no Brasil, Irlanda e Alemanha, no comércio internacional, que liberdade econômica, responsabilidade individual e instituições fortes são pilares. Utopias dos extremos devem dar lugar ao realismo liberal.
A polarização é resultado da manipulação de dois indivíduos que conhecem bem como fidelizar seguidores. Entre outros, estimulam sintomas como:
- Efeito Dunnig-Krüger: quem pouco domina economia, política ou ciência subestima competências e assume certezas. Os mais preparados se calam. É o domínio da estupidez.
- Dissonância Coletiva: desconforto quando fatos entram em conflito com crenças. Negar o desastre da Nova Matriz Econômica ou preferir cloroquina à vacina é tolerado porque foi do “meu” governo.
- Caverna de Platão: cada grupo vê sombras projetadas pelo líder de sua bolha, nas redes sociais. Sair exige argumentos, aceitar a realidade e enfrentar a tribo.
A soma dessas causas gera superestimação da ignorância, autojustificação dos erros do grupo e vida em bolhas. Os líderes manipulam isso para manter o poder.
Duas ideias podem ajudar a romper bolhas:
• Gestão Polaridades: nem todos os problemas se resolvem com “ou/u”. Diferenças entre tradição e inovação, Estado forte x Mercado livre, podem ser reduzidas gerindo-as, não eliminando-as.
• Paradoxo da Tolerância: se tudo for permitido, quem quer destruir a liberdade impõe teses. É preciso ser intolerante com a intolerância absoluta, de direita ou esquerda.
O Brasil precisa ser refém dos extremos?
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