Angela Merkel chefiou o governo da Alemanha por 16 anos consecutivos. Na sua recém-lançada autobiografia, ela se orgulha de não ter cometido nenhum erro. Quer ver como isso foi possível?
Freiheit (Liberdade) é o título da autobiografia de Merkel. Em 700 páginas ela comprova sua fama de “Alternativlose Politikerin” (política sem alternativa). O que ela chamava de tomada de decisões incrementais, com pequenos avanços, colocaram a Alemanha por 16 anos em um estado de anestesia política e de gestão. A lógica era: é melhor não fazer nada do que cometer erros. O resultado foram recuos incrementais, que sucatearam a infraestrutura (rodovias e pontes), a BundesBahn (ferrovias), as forças armadas e o espírito animal do país.
A prepotência, somada com arrogância, de não reconhecer nenhum erro em tanto tempo, só tem comparação com o Aiatolá de Garanhuns. A bem da verdade, nos quatro mandatos, ela tomou quatro grandes decisões, que pavimentaram o caminho para a decadência alemã, além do crescimento do partido neonazista (Alternative für Deutschland). Vamos a elas:
– VETO DA ENTRADA DA UCRÂNIA NA OTAN
Em 2008, a Muti vetou a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado Norte. Com a cláusula de que o ataque a um país obriga os outros a defendê-lo, é muito provável que Putin teria pensado duas vezes antes de invadir a Ucrânia em 2022.
– FECHAMENTO USINAS NUCLEARES
Em 2011, um terremoto causou um vazamento na usina japonesa de Fukushima. Foi o terceiro desde que a primeira usina nuclear começou a operar em 1954. Em uma reação intempestiva, a Muti determinou o fechamento gradativo de todas as usinas alemãs, abrindo o caminho para jogar a Alemanha no abraço de urso do gás russo. O resto da história estamos assistindo.
– DESASTRE POLÍTICA MIGRATÓRIA
Eu vivia na Alemanha quando a foto de uma criança afogada nas praias da Turquia, levou a Muti a escancarar as fronteiras alemãs. Mais de 750 mil entraram no país em poucos meses. Perguntada como faria para administrar essa avalanche, respondeu:
WIR SCHAFFEN DAS! Vamos conseguir!
Não fez, nem conseguiu nada, além de turbinar o crescimento do Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha), partido neonazista, que deverá ser o segundo mais votado nas prováveis eleições do início do próximo ano. Como nenhum partido terá a maioria sozinho, e nenhum quer coligar com a AfD, o novo governo deverá ser uma geringonça pior do que a coligação Ampel (Semáforo) que afundou a Alemanha ainda mais desde a saída na Muti.
Você conhecia este lado petralha da Alemanha?
Fonte: WirtschaftsWoche – Angela Merkels Memoiren – Womit Deutschlands Dauerkanzlerin noch abrechnen will”; DW Deutsch – “Ex-Kanzlerin steht zu ihrer Ukraine und Flüchtlings-Politik”
#ismarbecker #Alemanha #Merkel #Rússia #Ucrania #Guerra #Geopolitica



