Quando dois elefantes brigam, quem sofre é a grama. Uma briga de elefantes já começou. Quer saber porque nós, que somos a grama, podemos sofrer?Uma velha lei da selva nos ensina que ninguém abre mão do poder voluntariamente. Esta lei vale ainda mais para as grandes civilizações. Talvez o exemplo mais longevo tenha sido o Império Romano, que ficou em decadência por séculos antes de acabar. A partir da Primeira Guerra, os EUA começaram uma ascensão, desbancando definitivamente o Império Britânico (Inglaterra e outros) após a Segunda Guerra. Após a implosão da União Soviética, parecia que a história tinha acabado (famoso livro de Francis Fukuyama), e que o modelo da democracia liberal ocidental dominaria o resto dos tempos. A invasão da Ucrânia, somada ao avanço da China, está questionando esta previsão. Semana passada, em uma das minhas jornadas matutinas na academia, assisti um debate, promovido pelo Stanford Institute for Economic Policy Research (SIEPE), sobre a relação (altamente deteriorada) dos Estados Unidos e a China, e como esta briga de elefantes pode afetar a grama, que é o resto do planeta. Por falta de espaço, não poderei fazer um resumo do debate, mas listo as principais (e preocupantes) mensagens dos painelistas (dois americanos e um chinês), além da moderadora (chinesa).Jianlu Streeter – Moderadora: Quando chegou nos EUA há 20 anos, um povo admirava o outro. Hoje é o contrário. A aposta do Ocidente de que o crescimento econômico da China levaria a uma democracia falhou.Dr. Scott Kennedy – Americanos e Chineses estão em uma câmara de ecos. Cada lado não entende as posições do outro lado; uma acha que o outro é responsável pelo conflito, que quer acabar com o Partido Comunista Chinês (PCC) ou a Democracia Liberal do Ocidente, que não tem credibilidade, que tem que reduzir a dependência comercial do outro. Isto leva a um cenário do fatalismo (ciclo vicioso da fatalidade), em algum momento uma guerra pode ser deflagrada, por um dos falcões (radicais) de um dos lados.Michael Pillsbury – A aproximação dos EUA e China, que começou antes da visita de Nixon em 1972, provocou sentimentos de traição de ambos os lados, que é potencializada pelos falcões. Chenggang Xu – Durante a Revolução Cultural chinesa ficou preso um ano e mais cinco em um campo de trabalhos forçados. Defende que a China sempre enganou os EUA, mantendo um Low profile (fingindo de fraca) até atingir um poder que julgou forte suficiente. Está seguindo um modelo da extinta União Soviética, onde o que importa é o controle total do PCC, independente da economia. Um resumo, mesmo que com graus diferentes: um conflito é quase inevitável, podendo ser deflagrado por uma pequena fagulha. Como a grama, na qual o Brasil se inclui, ficaria nessa briga de elefantes? #ismarbecker #China #EUA #geopolitica #guerra #economia #poder #geopolitica



