Estamos assistindo as maiores manifestações populares na China, desde as da Praça da Paz Celestial (Tiananmen Square) em 1989. Quer saber por que uma crise na China pode beneficiar o Brasil e você? Economistas e experts em geopolítica divergem sobre a gravidade da real situação política e econômica da China. Nomes respeitados como Ray Dalio, Peter Zeihan e Nouriel Roubini apostam no estouro da bolha imobiliária. Como o setor da construção civil representa 30% do PIB Chinês, isto provocaria uma crise de confiança, seguida de uma corrida aos bancos, que faria a crise de 1929 parecer uma marolinha. Isto poderia ser fatal para um regime autoritário, que promete ascensão econômica em troca de liberdade política. O Partido Comunista Chinês (PCC) aprendeu com a extinta União Soviética, que “Glasnost” (transparência) leva ao fim do controle do Partido e do regime. Para piorar a situação, o ditador (vamos chamar pelo título adequado) Xi Jinping redobrou a aposta da Covid Zero, fechando cidades e regiões inteiras, porque uma grande parte da população foi vacinada, ou tomou vacinas chinesas, que não tem efeito para as novas mutações. Isto poderia ser resolvido importando vacinas, mas isto bate de frente com o nacionalismo de Xi e do PCC. As previsões conservadoras são de que esta situação não mude nos próximos dois anos. Em uma democracia o líder de plantão, já teria sido substituído, mas a China é outra história. O governo brasileiro ignorou a gravidade da Covid (é só uma gripezinha!), apostou em remédios sem efeito, e chegou a namorar com o efeito manada (deixar o vírus contaminar toda a população). Felizmente por sermos uma democracia, alguns governadores, médicos, cientistas sérios e a sociedade pressionaram o governo a mudar de estratégia. Em um recente livro (“China – Pós Mao”), o historiador Frank Dikötter resumiu com a seguinte frase o dilema da China: “O Partido Comunista Chinês terá que enfrentar uma série de problemas estruturais, criados pelo próprio PCC, sem abrir mão do seu monopólio de poder e controle dos meios de produção. Isto me parece um beco sem saída”. Eu resumiria de uma forma bem simples: pode (e vai) demorar muito tempo, mas o modelo autocrático chinês não tem futuro. Alguém poderia perguntar: O que isto me interessa? É do outro lado do mundo. Como pode me afetar? Tentarei explicar.A China é a fábrica do mundo. A explosão das exportações de produtos baratos da China destruiu cadeias de produção inteiras, deixando milhões desempregados ou subempregados. Uma combinação da reversão parcial da globalização (reshoring, nearshoring, friendly shoring), com a manutenção da política de Covid Zero e risco político, já estão levando centenas de empresas a buscar fornecedores fora da China, mesmo que com um custo maior. O Brasil é um dos poucos destinos seguros. Percebeu a oportunidade? Como isto irá afetar o seu negócio ou emprego? #ismarbecker #geopolítica #China #exportações #economia #crise



