BRASIL MUDA EM AGOSTO

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Por Ismar Roberto Becker

“O velho não pode ser candidato; se candidato, não pode ser eleito; se eleito, não pode tomar posse; se tomar posse, não pode governar.” Quem disse esta frase profética sobre o fim deste (des) governo?

Uma das razões para conhecer a história é interpretar problemas atuais com a experiência do passado. A história não se repete, mas pode nos ajudar a não cometer os mesmos erros. Por não conhecer história nem qualquer outra coisa, diga-se de passagem, o Demiurgo de Garanhuns vai entrar no mês de agosto, na mesma situação do Pai dos Pobres, em 1954.

Na história política brasileira, em agosto, morreram figuras como JK, Eduardo Campos, Jânio Quadros renunciou, a pior presidenta da história foi defenestrada do Planalto. O que os mais velhos lembram, contudo, foi o suicídio de Getúlio em 24 de agosto de 1954. Após ser deposto da ditadura em 1945, Getúlio venceu a eleição de 1951, mas não governou.

No exílio doméstico em sua fazenda no Rio Grande do Sul, depois que foi derrubado do poder, não percebeu que o mundo e o Brasil haviam mudado. Quando voltou à presidência, não falava mais a língua do povo.

Apostou em um projeto nacional-desenvolvimentista, dobrou a aposta de nós x eles, embora sempre tenha sido muito rico, confrontou as Forças Armadas e o Congresso. A tentativa de assassinar Carlos Lacerda ia acabar com sua deposição, até que saiu da vida para entrar na história, usando suas palavras.

Desde que voltou do exílio forçado em Curitiba, o Demiurgo ganhou a eleição pela incompetência do outro candidato. Antes de assumir, deu um calote eleitoral em pelo menos um terço dos que votaram nele.

Acomodar a “cumpanheirada” em cargos no governo e nas empresas com participação do Estado. Usou e abusou do Gasto é Vida, que vinha sendo pago com aumento de impostos. A casa começou a cair com o aumento da inflação, na tentativa de taxar o PIX. Afundou com o roubo dos aposentados pelos sindicatos, para finalmente desabar com o aumento do IOF, derrubado pelo Congresso. Acuado, ressuscitou a guerra de patrões contra empregados, esquecendo que 59% dos brasileiros não querem trabalhar com carteira assinada.

Como liberal, não torço pela morte de ninguém. Por isto, não aposto na repetição do sair da vida para entrar na história de Getúlio. Acredito na versão tupiniquim do livro O Outono do Patriarca, de Gabriel Garcia Marques, em que um ditador senil perde o contato com a realidade, vive isolado no seu palácio, ou passeando com a primeira-dama pelo mundo afora, é rodeado de bajuladores, traidores, fantasmas do passado, e rejeitado por quase 70% do povo.

Serão meses de um lento, mas certo, outono, como a chama do poder apagando em um toco de vela. O cenário para as eleições de 2026 pode ser resumido na frase de Carlos Lacerda, antes da eleição de Getúlio em 1951: “se for candidato, não pode; se ganhar, não pode assumir; se assumir, não pode governar”.

Qual é a sua aposta para os 18 meses de outono?

#ismarbecker #politica #economia #Brasil

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