O Aerolula decolou da Cidade do México, teve que retornar e sobrevoar a cidade em círculos, para gastar o combustível, antes de aterrissar em segurança. Como essa pane no avião presidencial pode nos indicar caminhos para o país?
Acidentes de avião não acontecem por uma única causa. É uma combinação de fatores. No caso do avião presidencial, o comandante percebeu um problema e resolveu voltar. Esta lógica aérea vale para a economia de um país. O comandante do avião da economia brasileira está ignorando todos os avisos de problemas no avião e aumentando a velocidade. Sem uma correção forte, é certo que o avião cairá. Vejamos por que:
O Teto de Gastos, que tirou o Brasil do buraco da Nova Matriz Econômica, foi sendo furado desde a pandemia, e na tentativa da reeleição do presidente anterior. O Arcabouço Fiscal, vendido como um novo limite máximo de gastos, na prática, é um limite mínimo de gastos.
A bomba relógio é a indexação de benefícios com o aumento do salário mínimo. O aumento do SM, acima da inflação, leva de carona os benefícios previdenciários, trabalhistas e assistenciais. Pelas regras do Arcabouço Fiscal, o governo poderá gastar 138,3 bilhões em 2025; e 97,61% serão para aposentadorias, funcionários e transferências sociais. Sobram para cumprir a promessa 3,3 bilhões.
Como não dá para matar a fome dos gastos, ressuscitaram a criatividade fiscal, inventando receita, retirando despesas do orçamento. De um déficit primário (antes dos juros) de 68,8 bilhões, varreram para debaixo do tapete 40,5 bilhões. O problema é que os 40,5 bilhões têm que ser pagos. Para pagar tem que emprestar, aumentando a dívida pública.
Com o orçamento fiscal estourado, abriu uma Novíssima Matriz Econômica: usar dinheiro que não existe para financiar projetos dos amigos do rei. A mágica funciona como um representante comercial, que ainda não fechou um pedido, mas já gasta por conta da comissão que receberia, se tirasse o pedido.
Juros é o preço que alguém paga para antecipar a compra ou consumo, mas não tem dinheiro para pagar. Existem três soluções para este problema: reduzir gastos, emprestar, criar inflação. Até o Plano Real, a inflação era a solução. Com o fim da inflação, veio o aumento de impostos. Quando o povo já não aguentava mais pagar impostos, a solução foi emprestar.
A taxa de juros é resultado de quanto o governo precisa emprestar, com o risco que os que emprestam estão dispostos a correr. A gastança sem fim, somada com a ecomagia orçamentária, com os gastos parafiscais, com o aumento da dívida, geram juros mais altos.
Voltando para acidentes aéreos, o avião da economia brasileira, não cairá por uma combinação de fatores. Cairá porque o (des) governo não colocou combustível suficiente para chegar ao destino.
Fonte: Market Makes – “Por que o Brasil está Condenado a um Ciclo Infinito de Crises” – Marcos Lisboa; “Corrupção, Parafiscal e Criatividade; O Brasil de Era Dilma voltou?” – Marcos Lisboa.
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