BRASIL – AINDA VALE A PENA?

Foto de Por Ismar Roberto Becker
Por Ismar Roberto Becker

O Brasil está melhor do que poderia, mas pior do que deveria. Quer saber por que damos três passos para frente e dois para trás?

“O Brasil chegou até aqui, aos trancos e barrancos, com pontos positivos e negativos da nossa realidade, dentro do possível, enfatizando o contraste entre aquilo que era feito e aquilo que seria necessário fazer”. Com esta frase, Fábio Giambiagi resume a situação do Brasil, no “A Vingança de Tocqueville”, um livro de economia que você lê como um romance, daqueles que você quer ler em uma sentada, mas, por outro lado, ler bem devagar para saborear cada página.

De Getúlio Vargas até Itamar Franco, o Brasil teve crises deflagradas por pelo menos um dos seguintes fatores: inflação alta; descontrole fiscal, balanço de pagamentos. Com o Plano Real conseguimos domar o monstro da inflação. Em 2008, começou um trabalho para gerar reservas externas, criando um colchão de proteção contra os choques cambiais. Depois do desastre na Nova Matriz Econômica, criamos o teto de gastos, que começou a atacar o problema fiscal. O esforço foi jogado fora pela tentativa de reeleição do governo anterior, e pela farra “gasto é vida” deste. Avançamos, mas lentamente, e com recuos no fiscal.

Giambiagi lembra que uma parte das elites brasileiras depende do Estado. “O segredo da prosperidade está em estabelecer relações sólidas com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, financiar o Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se do patrimônio do Estado, receber doações do Estado, transferir passivos para o Estado, repassar riscos para o Estado, e conseguir favores do Estado. Este é o plano de negócios dos privilegiados”.

Os que não conseguiam chegar lá, tentavam se empregar no Estado e serem aposentados do Estado.

Giambiagi é filho de argentinos, nasceu no Brasil, foi para a Argentina com 10 meses e voltou com 15. Destaca que o Brasil teve uma trajetória muito melhor do que a Argentina, mas que o maniqueísmo (nós x eles) preocupa, que existe na Argentina desde Perón (1946), e que chegou ao Brasil pelas mãos de quem assumiu em 2002, denunciando uma imaginária “herança maldita”.

Muitos não entenderão o título do livro. O que o autor “Da Democracia na América” tem com o Brasil? Simples: desde Getúlio até o Aiatolá de Garanhuns, com poucos intervalos, se deixaram levar pela ideia de que é possível colher sem plantar a árvore, que sem um esforço lento, sem muitos resultados no curto prazo, não é possível atingir um crescimento sustentável.

Em uma frase emblemática, “não é possível governar este país somente com a racionalidade dos números”. Vinte anos depois, com um aumento da dívida pública em mais de 20%, e sucessivos voos da galinha, resumiu a ideia na frase “Gasto é Vida”.

Será que algum dia aprenderemos que o populismo nos dá o presente, mas nos tira o futuro?

Na sua opinião, o Brasil ainda vale a pena?

Fonte: A Vingança de Tocqueville, Fabio Giambiagi.

#ismarbecker #desafios #economia #política #comex

Compartilhe esse conteúdo:

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Email
Twitter
Pinterest