BIOPSIA DE UMA ECONOMIA 2807

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Por Ismar Roberto Becker

Eu aprendo muito mais com meus erros do que com os acertos. Quer conhecer a história e as razões porque um país comete sempre os mesmos erros nos últimos 100 anos?A Argentina teve um papel importante na minha carreira profissional. Em 1981, o ditador de plantão (General Videla) foi substituído pelo colega General Viola. Um dos primeiros atos foi uma mega desvalorização do Peso, que paralisou as exportações da Oxford Porcelanas, onde eu estava a uns três anos. Esta decisão acabou deflagrando uma crise regional, que derrubou nossas vendas pela metade. Anos depois eu brincava que entrou o Viola e nós dançamos.Como resultado, meu chefe (e pai) me jogou na água para exportar o estoque gigantesco que tínhamos acumulado. Mas vamos para a história. Em 1921, o PIB per capita argentino era semelhante ao da Alemanha e da França. Desde esta data, a inflação média do país foi de 105% ao ano, com cinco moedas distintas, além de cinco calotes da dívida externa (recorde mundial).A atual crise que afunda o país, com uma inflação se aproximando de 90%, um quarto da população abaixo da linha da miséria, uma dívida de 44 bilhões de dólares com o FMI (maior da organização), e meros 3 bilhões de dólares de reservas internacionais, deixou o país de joelhos, mais uma vez.A causa é uma só:  descontrole fiscal (gastar mais do que arrecada, que tem que ser financiado com a emissão de moeda. Para mitigar os efeitos da pandemia, o país teve que trazer máquinas do Brasil e da Espanha para imprimir 1,2 trilhões de Pesos (uns 750 bilhões de Reais), o que representou 11% do PIB.Como a moeda é uma mercadoria, o excesso dela faz seu preço cair, o que fez o Dólar Blue (paralelo) saltar de 150 Pesos no início de 2021, para 208 em janeiro de 2022, e 337 na última sexta-feira.O economista e deputado Javier Milei resumiu assim a situação: “O governo perdeu a credibilidade, e não tem condições de controlar a crise. A desvalorização não tem teto porque o Peso não tem piso.”Mas que lição podemos aprender com esta trágica situação?  O Brasil abandonou em 1994 (Plano Real), a prática populista, técnica (e injustamente) chamada de Keynesiana de gastar mais do que arrecada.O lamentável e breve intervalo foi o (des) governo da presidenta (sic) Dilma. Apesar dos nossos fundamentos macroeconômicos serem saudáveis, medidas populistas e eleitoreiras (vide PEC Kamikaze) do atual governo, e a possibilidade de retorno do modelo que a única coisa que sabe de dinheiro é tomar dos outros, são um sinal de alerta. O que podemos fazer para não sermos a Argentina de amanhã?Imagem: https://www.lacienciaeconomica.com/crisis-economica-argentina/#ismarbecker #Argentina #crise #inflação #economia #desvalorização #Keynes #gestão #exportações

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