A China não dominará o mundo, mas não colapsará como a União Soviética. Como isto afetará a geopolítica e geoeconomia mundial e o Brasil?
A China não só parou de crescer, como está decaindo. Esta afirmação de Michael Beckley é fundamentada com alguns dados. A relação do PIB chinês com o dos EUA, caiu de 70 para 60%, usando estatísticas chinesas, que superestimam o PIB em uns 20%. A produtividade vem caindo desde 2011. A dívida pública subiu de 180% em 2022 para mais de 300% em 2023. Em 2004, só 2% da população acreditava que seus filhos teriam uma vida pior. Hoje são 25%.
A causa desta deterioração é a mudança radical em quatro fatores que foram fundamentais para o milagre chinês.
- SEGURANÇA E COMÉRCIO: desde 1972, quando Nixon visitou a China, o país surfou um ambiente de relativa tranquilidade com vizinhos problemáticos, e teve carta-branca para inundar o planeta com produtos subsidiados, falsificados e subfaturados. Esta onda começou a mudar com a pandemia, que começou por lá. Depois do apoio à invasão da Ucrânia, começou um lento, mas irreversível processo de reduzir a dependência dos chineses.
- GOVERNANÇA: as reformas de Deng Xiaoping estão sendo desmontadas pelo ditador XI, que opta por ações para consolidar o poder do PCC e do seu, ao invés de focar na economia. Qualquer semelhança o Brasil não é mera coincidência.
- DEMOGRAFIA: o dividendo demográfico, grande responsável pelo boom, começou a acabar em 1979, quando foi imposta a política do filho único. A revogação, em 2015, não adiantou nada. Em 2020 haviam de 10 a 15 pessoas trabalhando para uma aposentada. Na metade de 2030, a proporção será de 2 x 1. Nos próximos 10 anos, mais de 70 milhões deixarão a força de trabalho.
- RECURSOS: o cuidado com o meio ambiente (sic!) foi pior do que o da URSS. Quase a metade do solo está contaminado ou desertificado. A água está acabando ou não serve sequer para irrigação. O país não consegue alimentar sua população, e necessita importar cada vez mais petróleo, gás e carvão.
E AGORA XI?
A história nos ensina como regimes totalitários reagem aos problemas causados por eles mesmos. Procurar inimigos internos e externos, para manter o povo sob pressão. A invasão das Malvinas é um (sic!) exemplo. O problema é que a China não é a Argentina.
Como este novo cenário afetará o Brasil e o delírio do sul global?
Fonte: “The End of China’s Rise & the Future of Global Order” – Michael Beckley – World Knowledge Forum, 2024.
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