ARMADILHA DA TRADIÇÃO

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Por Ismar Roberto Becker

Como preservar o passado de uma Empresa Familiar, sem destruir o futuro?

Um jovem membro da terceira geração de uma bem-sucedida empresa familiar me fez a pergunta na semana passada. Coincidentemente, li uma entrevista de Rodrigo Ohtake, neto de Tomie e filho do Ruy Ohtake, dois gênios da arquitetura, que me inspirou na resposta.

Quando falamos de tradição, os nipônicos são experts. A empresa familiar em operação mais longeva do mundo é um hotel fundado no ano 705. Mais de 50 gerações passaram pela gestão do hotel. Na entrevista do Rodrigo para o Valor Econômico, falando sobre o legado da família, ele cita duas frases que, com poucas palavras, dizem tudo:

“Seguir o exemplo à sua própria maneira, isto é tradição” – Thomas Mann.

“Tradição não é o culto das cinzas, mas a preservação do fogo”. Gustav Mahler

Seguindo a linha destas duas frases, tentei responder à pergunta com três pilares:

  1. Legado: valores das gerações anteriores são o que permite superar as divergências naturais entre as pessoas. Valores são aquelas coisas que fazemos quando ninguém está nos vendo.
  2. Adaptação: manter estratégias que funcionaram no passado pode não ser a solução para um novo desafio. Construa outro andar, sobre o que já foi construído.
  3. Tradição x evolução: não é necessário escolher entre uma ou outra, mesmo com mudanças profundas.

Sei que nenhum destes pilares dá respostas definitivas, até porque elas não existem. Que outros conselhos você daria para o jovem executivo que assumiu a gestão do negócio da família?

Fonte: “The Tradition Trap – How Familiy Entreprisses can Balance Legacy and Inovation”.

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