ARGENTINA 0602

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Por Ismar Roberto Becker

Era uma vez, um país no qual o povo se orgulhava de ser o mais rico, o mais educado e o mais desenvolvido do que todos seus vizinhos. Diziam até que estavam no continente errado. Quer saber o que aconteceu com este país e como pode afetar o Brasil?
Este país era um dos 10 mais ricos do mundo após a 2ª Guerra Mundial. Dizem que o ouro acumulado durante a guerra teve que ser empilhado nos corredores do Banco Central. O país era de longe o mais desenvolvido do continente, com uma taxa de analfabetismo baixíssima, e uma pujante classe média. Quando estive lá pela primeira vez (1970) me senti um cidadão de segunda classe. Este verdadeiro paraíso começou a mudar quando o ditador com pinta de cantor de tango resolveu pagar integralmente a dívida externa e gastou o restante em programas populistas. De lá até hoje, a história do país tem uma curva com o formato de uma montanha russa em constante descendência, com alguns espasmos de crescimento. Neste momento, alguém pode perguntar: o que nós brasileiros temos com isto?  Resposta: muito, porque este país é 4º maior destino das nossas exportações, além de ficar ao nosso lado. Os altos e baixos da economia tem um grande efeito aqui. Nesta altura do campeonato, com o perdão do trocadilho, só falta dizer que o país em questão é nosso maior rival no futebol: Argentina.
Desde sua independência a Argentina teve nove falências, sendo que sete a partir de 1951. Um pouco antes, o populista Juan Perón pagou toda dívida externa (dívida não se paga, administra-se, já disse Delfim Netto) havia começado um plano de nacionalização e estatização de empresas, um programa de redistribuição de renda impagável, fortalecimento dos sindicatos e descontrole dos gastos do governo. Uma ex-presidente nossa acredita muito neste modelo. Novamente, alguém pode perguntar: o que o Brasil tem com isto? Claro que nosso histórico financeiro não é tão ruim, mas devemos lembrar que nossas histórias nas últimas décadas, tiveram semelhanças. O Brasil muitas vezes namorou o modelo Peronista, durante o regime militar, na elaboração do Dicionário dos Sonhos (que chamamos de Constituição de 1988) e, principalmente, durante os 13 anos da experiência do síndico populista. Além das medidas econômicas irresponsáveis, o Peron de barba, instalou no Brasil o que os argentinos chamam de “grieta”, aqui conhecido por nós x eles.
Já no clima de eleição presidencial, estamos assistindo uma coleção de medidas populistas como o controle artificial do preço dos combustíveis, subsídios para compra de caminhões, dos quais já temos demais e aumentos irrealistas (embora merecidos) dos salários dos professores, fim do Teto dos Gastos públicos. Do outro lado, já estamos vendo o replay de filmes sobre intervenções na Petrobras, construção de refinarias (que tal recomprar Pasadena?) e vender gasolina a 3 reais.
Deu para entender que temos muito a aprender com nossos “hermanos”, principalmente sobre o que não fazer?
#ismarbecker #gestão #liderança #economia #exportações

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