A maior disputa na Europa já não é direita versus esquerda. É o presente versus o futuro. Quando isto chegará no Brasil?
ENVELHECER É CARO
O aumento da expectativa de vida, somado com baixíssima taxa de natalidade, criou um problema estrutural para a maioria dos países europeus. Uma parcela cada vez maior do orçamento estatal vai para manter o estado de bem-estar social. Como menos gente contribuindo e mais recebendo aposentadorias, sobra cada vez menos para inovação, que poderia gerar crescimento com menos pessoas trabalhando.
As quatro maiores economias europeias (Alemanha, França, Itália, Reino Unido), não conseguem fazer reformas previdenciárias, aumentando a idade para a aposentadoria, porque os mais velhos definem praticamente as eleições. Como o voto não é obrigatório, menos jovens votam e os mais velhos elegem quem mantém seus privilégios.
Esta situação se tornou mais crítica com a necessidade de aumentar os gastos para rearmar a Europa para conter o risco Putin.
NOVO MODELO
Com cada vez menos pessoas entrando no mercado de trabalho, as novas gerações recusando trabalhos convencionais, um monstro burocrático que sufoca o empreendedorismo, a produção total e a produtividade estão caindo de forma acelerada.
Este cenário está alimentando o crescimento de partidos de extrema-direita. Na Itália, uma primeira-ministra de direita mais moderada está conseguindo alguns avanços. Nos outros três países, contudo, as próximas eleições podem deflagrar uma onda populista, com consequências imprevisíveis.
MODELO BRASILEIRO
Uns 15% do Orçamento da União são consumidos pelos gastos previdenciários, de cerca de 1 trilhão de reais. Uns 32,3 milhões do setor privado custam uns 626 bilhões, enquanto 4,9 milhões de barnabés, custam 200 bilhões. A tendência é um constante aumento desta casta.
Outra jabuticaba é a pejotização, as MEIs e o trabalhador informal, eufemisticamente chamados de empreendedores individuais. Cerca de 40 milhões de pessoas trabalham em condições de informalidade, sem carteira assinada ou contribuição previdenciária regular. Isso representa uns 37% dos ocupados no país. Além disso, temos uns 4,6 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) que, embora formalizados, pagam contribuições previdenciárias reduzidas em relação a um trabalhador formal típico.
Como a gerontocracia na Europa e a gerontocracia populista brasileira vão enfrentar o colapso do sistema previdenciário?
Fonte: “Does Europe Struggle with Innovation?” – Luis Garicano – Hoover Institution.
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