Inflação combinada com recessão é o cenário atual em quase todo o planeta. Quer saber porque alguns países perderam o controle da inflação, além dos riscos de isso acontecer no Brasil?A combinação de gigantescas injeções de liquidez (subsídios e transferências diretas para a população), falta de mercadorias com explosão dos preços dos combustíveis, elevou a inflação mundial. O remédio amargo, mas eficiente contra a inflação é uma combinação de equilíbrio fiscal (governo gastar só o que arrecada) e aumento dos juros. O uso deste remédio está reduzindo os aumentos de preços, mas começa a afetar o crescimento econômico. Isto é uma combinação perigosa para governos populistas, acostumados a gastar dinheiro dos outros. Tirando estados párias (Venezuela) e países em guerra (Ucrânia, Rússia, Sudão do Sul), dois campeões da inflação são a Argentina e a Turquia. Estive nestes dois países nos últimos meses. Pude sentir no bolso os efeitos positivos para os estrangeiros, que vem com moeda forte, e negativos para a população local, que corre para comprar o que pode quando recebe seus salários. Na Turquia, o presidente Erdogan, reduziu artificialmente a taxa de juros, o que literalmente esculhambou a economia. A politicamente finada presidenta (sic!) Dilma fez o mesmo no Brasil. Na Argentina, a atual sucessora do ditador Peron, dobrou a aposta de fazer a impressora de pesos trabalhar em horas extras. Como o ministro da Economia (Gusman) atrapalhava este plano, consegui derrubá-lo (no estilo de troca de presidente da Petrobras) e colocar uma protegida no lugar. Duas das primeiras medidas foram dar um calote nas importações (só podem ser pagas em 180 dias) e limitar as viagens ao exterior. Segundo Silvana Batakis, ministra da economia: “O direito de viajar colide com a geração de postos de trabalho. O dólar é um recurso escasso e esses dólares têm que estar à disposição da matriz produtiva”. Claro que esta restrição não se aplica ao filho, que está passeando no exterior. O resultado foi que a inflação que já estava em absurdos 60% deve passar de 90% até o final do ano, além do Dólar Blue (paralelo) ter subido mais de 20%. O risco de isso acontecer no Brasil é baixo. Nosso Banco Central tem autonomia e começou a aumentar os juros antes dos outros. Nossas reservas externas continuam crescendo. O risco é o populismo eleitoral, que aprovou a PEC Kamikaze, acabando com o Teto dos Gastos Públicos. Na sua opinião: qual o risco de nos tornarmos uma nova Argentina? #ismarbecker #economia #inflação #recessão #populismo #oportunidades #juros #equilibriofiscal



