A Alemanha é um modelo de excelência em termos de organização. Quer ver como esta força pode ser prejudicial no mundo de rápidas mudanças em que vivemos? Em 2014, comprei a massa falida da Leipold International, uma das mais tradicionais produtoras de decalcomanias para decoração de porcelana e vidro. A empresa familiar, fundada em 1924, seguiu a trágica saga: pai rico, filho nobre, neto pobre. Apesar das duas falências, a tecnologia, qualidade e confiabilidade da empresa, foram um turning point para a Beckter Transfers, que produz decalcomanias no Brasil. Nos cinco anos que fiquei mais na Alemanha do que no Brasil, aprendi muito sobre forças estratégicas da Alemanha como organização, controle, busca da perfeição, respeito a hierarquia, pensamento cartesiano. O problema é que forças podem ser fraquezas quando o meio ambiente muda. Como já disse Leon C. Megginson: Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças. Um bom exemplo disso, é a carta que os passageiros frequentes da Lufthansa receberam com um pedido de desculpas pelo caos nos voos da companhia nos últimos dias. O diagnóstico do problema está correto: explosão da demanda, alavancada pelo início das férias na Europa, combinado com falta de pessoal que teve que ser dispensado durante a pandemia. Dali para frente, começam as tentativas de terceirizar a responsabilidade e erros crassos: – Férias são a coisa mais sagrada na Alemanha. Como a direção da Lufthansa deveria saber disso, além de saber que não tinha pessoal suficiente, porque manteve o número de voos? Não seria melhor atender menos passageiros de forma minimamente decente? – A previsão de normalização da situação é para o próximo inverno europeu daqui a uns 6 meses. Até lá, os passageiros estarão sujeitos ao caos das últimas semanas?- A guerra na Ucrânia criou distorções no tráfego aéreo europeu. Como a guerra começou em fevereiro, não deveriam ter sido tomadas medidas antes?- Depois de tantos ‘entretantos’ vêm os ‘finalmentes’, como dizia Odorico Paraguaçu: colocar os gigantescos A380 para voar novamente, além de comprar 50 novos aviões. Perguntinha básica: se já não tem pessoal para voar os atuais, comprar novos não vai piorar a situação? Ou isto foi só para agradar a torcida? O que você faria em uma situação destas? Imagem: Kadir Ilboga #ismarbecker #viagem #Alemanha #carreiras #oportunidades #Lufthansa



